Com recursos escassos até para os serviços paliativos mais básicos, como o tapa-buracos, a Secretaria de Obras está se debruçando em estudo que vai embasar pedido de autorização da prefeita Suéllen Rosim (Patriota) aos vereadores para pegar milhões de reais emprestados e, assim, tentar resolver demandas históricas de infraestrutura nos bairros e nos distritos industriais. A compra de maquinário também está na mira.
Parque Giansante, Jardim Nicéia e Manchester são exemplos, segundo o engenheiro Marcos Saraiva, que dependem de infraestrutura completa, com serviços de pavimentação e drenagem.
"Os distritos também necessitam de atenção absurda. Tudo envolve muito dinheiro e são ações que precisam ser feitas (...) Não é que eu seja favorável ao financiamento; eu preciso do financiamento", afirma o secretário de Obras.
POLITICAMENTE
O governo ainda não definiu o valor, mas pode ser que o montante gire em torno do que o ex-prefeito Clodoaldo Gazzetta também, sem êxito, buscou com o intuito de deixar um legado de obras: R$ 46,6 milhões.
Politicamente, o secretário Marcos Saraiva discute o assunto com vereadores. A gestão passada enfrentou resistências e, depois de seis meses de tramitação, em março do ano passado, com o advento da pandemia da Covid-19, o projeto de lei que pedia autorização para o empréstimo foi retirado.
Os contrários à proposta de Gazzetta acusavam falta de detalhamento de projetos e suposto caráter eleitoreiro da iniciativa, de setembro de 2019, às vésperas do ano eleitoral. Também questionavam a capacidade financeira em arcar com as futuras despesas.
CORREÇÕES
Além disso, havia, na proposta, erros que ensejaram em lucro excessivo do banco que emprestaria o dinheiro. Após apontamento da Consultoria Administrativo-Financeira da Câmara, o governo encaminhou texto substitutivo que reduziu de R$ 69,5 para R$ 62,1 milhões o valor a ser pago ao longo dos nove anos seguintes à contratação do financiamento.
Em janeiro de 2020, Gazzetta chegou a anunciar a redução do escopo do projeto, que não mais contemplaria os bairros periféricos. A iniciativa não vingou.
A proposta original contemplava: a urbanização dos distritos industriais (R$ 13,5 milhões); modernização e revitalização da região central (R$ 8,7 milhões); compra de máquinas e equipamentos (R$ 10,3 milhões); novos acessos para "desafogar" o trânsito (R$ 2 milhões); urbanização de bairros (R$ 7,1 milhões); e revitalização de ruas e avenidas de ligação interbairros (R$ 5 milhões).