Quito - A onda de violência coordenada que deixou quase 80 mortos em diferentes prisões no Equador é a demonstração de mais uma derrota da combalida gestão do atual presidente, Lenín Moreno, e pode ter impacto no segundo turno das eleições - entre o candidato apoiado pelo ex-presidente Rafael Correa, Andrés Arauz, e o direitista Guillermo Lasso no dia 11 de abril.
Nos últimos quatro anos, o país viu um incremento da presença de facções do crime organizado nacionais e estrangeiras. A crise se agravou com o acordo de paz entre o Estado colombiano e a guerrilha das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), em 2016. Desde então, dissidentes que não aceitaram se desarmar buscaram refúgio em outros países da região -o Equador entre eles.
Segundo informações oficiais, a hipótese mais provável de ter detonado a onda de mortes da última terça-feira (23) aponta para um ato de vingança pelo assassinato do líder da facção criminosa Los Choneros, conhecido como "Rasquiña", na cidade de Manta, um ponto importante da rota do narcotráfico que segue até a América Central e de lá aos EUA.
Isso teria gerado uma disputa de ajuste de contas entre os mais de 38 mil presos que pertencem a diferentes grupos e cartéis. Registros gravados com celulares mostram decapitações e mutilações. No fim do dia, o governo afirmou que a situação havia sido controlada.
Apesar de não ser um produtor de cocaína, o Equador recebe rotas do tráfico que vêm de vários pontos da América do Sul. Sua geografia, com selvas e montanhas, serve de esconderijo para grupos criminosos colombianos, peruanos, mexicanos e locais.