Geral

87% das mulheres percebem aumento da violência doméstica na pandemia

Dado consta em pesquisa da Unesp de Bauru sobre violência de gênero no contexto das dificuldades enfrentadas em 2020

07/03/2021 | Tempo de leitura: 2 min
Tisa Moraes

Uma pesquisa realizada pela Unesp de Bauru revelou que 87% das mulheres têm a clara percepção de que a violência contra o sexo feminino aumentou durante a pandemia do novo coronavírus. Divulgado na última sexta-feira (5), o estudo constata como o maior tempo de permanência dos casais dentro de casa e as dificuldades financeiras resultantes deste momento crítico contribuíram para a intensificação de ofensas, ameaças e agressões físicas dentro do ambiente doméstico.

O levantamento sobre violência de gênero durante a pandemia foi realizado por solicitação do Conselho Municipal de Políticas para as Mulheres (CMPM) de Bauru e conduzido dentro do projeto de extensão universitária "Faces da Informação e Comunicação em Saúde" pelas professoras doutoras Célia Retz e Tamara Guaraldo, da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação (Faac) da Unesp. Também participaram as alunas bolsistas Caroline Marcelino Avelino e Maria Isabel Rojas, do curso de relações públicas.

Ao todo, 654 pessoas responderam a um questionário online entre junho a agosto do ano passado, quando Bauru estava classificada na fase laranja do Plano São Paulo, já com diversas restrições relacionadas a deslocamento e abertura de estabelecimentos.

"Tentamos abranger toda a cidade de forma mais ou menos homogênea. Fizemos a divisão em quatro áreas para entender melhor as demandas e o perfil de cada uma delas. Mas, como são grandes áreas, em todas há tanto condomínios fechados quanto favelas. Então, não tivemos resultados muito discrepantes entre uma e outra", detalha Célia Retz.

Tamara Guaraldo explica que as mulheres ouvidas não são, necessariamente, vítimas de violência doméstica, mas que notaram agravamento das agressões físicas e psicológicas a partir da pandemia, seja na própria casa, na vizinhança, na família ou por intermédio de informações veiculadas pelos meios de comunicação. "O índice de 87% é bastante alto. É necessário reconhecer e combater as opressões que as mulheres sofrem", observa, salientando que a margem de erro da pesquisa é de 5% para mais ou para menos.

DEPENDÊNCIA

As professoras apontam que o estudo corrobora matéria publicada pelo Jornal da Cidade no ano passado, em que Justiça de Bauru divulgou que houve aumento de 68% na concessão de medidas protetivas em junho de 2020, na comparação com o mesmo período de 2019. Ainda de acordo com a pesquisa da Unesp, 25% das entrevistadas afirmam que o clima está mais agressivo entre pais e filhos dentro do lar, o que também é um indicador de aumento de violência no ambiente doméstico durante a pandemia.

Das mulheres ouvidas, 54%, informaram que dependem financeiramente dos companheiros, filhos ou pais, um fator que, segundo o Ministério Público de São Paulo, tende a levá-las ao silêncio diante da violência - uma em cada quatro vítimas não abandona ou não denuncia o agressor em razão da dependência financeira.

Neste contexto, outro dado preocupante é que 34% das mulheres se sentiam mais independentes em relação às finanças antes da pandemia. "São mulheres que podem ter perdido sua renda na pandemia, visto que setores afetados como comércio e hotelaria são compostos em sua maioria por atendentes, vendedoras, arrumadeiras, recepcionistas mulheres", destaca Tamara.

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