Cultura

Ode à cultura indígena

Ana Beatriz Garcia
| Tempo de leitura: 3 min

Nascido e sediado em Bauru por quatro edições presenciais, neste domingo (7), o Festival de Leitura e Literatura (Feleli) chega à sua 5.ª edição alcançando todo o território brasileiro, bem como um festival online permite. Durante 10 dias de programação online, o público poderá acessar gratuitamente 27 ações artísticas dialogando com literatura, como teatro, contação de histórias, performance e muito mais, com classificação para todas as idades e interesses. Toda a programação conta com intérprete de libras em todas as atividades.

Nesta edição, o destaque é o lançamento do livro digital inédito Cocarzinho amarelo como ação do Projeto Educativo, acessível no site https://www.feleli.com.br/. Esta ação, que conta com a coordenação editorial da jornalista Patricia Bomfim, vai ao encontro do movimento nacional denominado Literatura Indígena, apresentando no material educativo a voz e as imagens do povo maraguá com o livro digital Cocarzinho amarelo, escrito por Yaguarê Yamã e especialmente ilustrado por Uziel Guaynê.

"É uma história inédita de Yaguarê contada em português e nhngatu, baseada numa conhecida obra de origem europeia que se passa dentro de uma aldeia indígena, com o humor e as tonalidades amazônicas. Os leitores logo descobrirão que se trata de uma versão de Chapeuzinho vermelho, mas Yaguarê surpreende a cada momento ao trazer esta querida história para a floresta brasileira. Será que o desfecho será o mesmo?", indaga Patricia Bomfim.

No lançamento do livro digital Cocarzinho amarelo, terça-feira (9), os autores Yaguarê Yamã e Uziel Guaynê participarão de uma live para conversar sobre o processo criativo e literatura indígena, um movimento nacional que vem ganhando destaque desde a década de 90.

Ainda na exaltação e homenagem da literatura indígena, o Feleli tem na programação as escritoras Graça Graúna e Geni Núñez em uma mesa de conversa, além de uma oficina de literatura indígena para a primeira infância com Daniel Munduruku.

Na abertura do festival, hoje, às 20h20, o evento traz a exposição virtual "A Cor Fala", da ilustradora Bianca Lana de Ribeirão Preto. No vídeo-exposição, composto especialmente para a programação do Feleli Online, a artista propõe a conversa sobre as relações entre cor, textura e texto a partir do próprio processo criativo em projetos editoriais de livros infantis.

Já no segundo dia, celebra-se o Dia Internacional da Mulher. Para refletir e homenagear a luta pela vida de todas as mulheres do mundo, a programação conta com mulheres do Brasil, Argentina e Portugal. Nesta segunda (8), acontece a intervenção "Mover La Lengua", diretamente de Buenos Aires, com uma proposta de performance interativa em forma de batalhas onde se manifestam várias linguagens artísticas: dança, textos, música e vídeo, com direção María Magdalena Cervellera e Martina Kogan.

No mesmo dia, o festival programou uma Mesa de Encontro com as contadoras de histórias Benita Prieto, de Alhandra-Portugal, e Camila Genaro, de Santos. Neste bate-papo, a pauta é a arte de contar histórias, a atuação e o espaço do profissional para este ofício no contemporâneo, incluindo as demandas e desafios da literatura e a leitura no mundo digital para os narradores urbanos e tradicionais.

PROGRAMAÇÃO

A programação de dez dias de festival conta com convidados pela curadoria e selecionados através dos editais, em um abrangente conteúdo que integra mais de cem participantes, com vozes múltiplas e plurais, estimulando a leitura como prática cultural. Na programação, o Feleli trará espetáculos com dança, música, bate-papo com escritoras e escritores, oficina, escuta de narradores, slam e exibição de vídeo arte (confira a programação completa ao lado).

SERVIÇO

Todas as atrações poderão ser acompanhadas gratuitamente pelo canal do YouTube Feleli Festival de Leitura e Literatura disponível em: http://bit.ly/3c5QOa8 e no Instagram e Facebook: @feleli.online.

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