Você está com a família ou amigos em um restaurante (sem pandemia, é claro), o papo está gostoso, o tempo passa, o consumo continua e a conta fica cada vez mais cara. Talvez você já tenha vivido essa situação. Cada um sabe bem a capacidade do seu bolso e tem que medir com cuidado a hora de interromper esse momento. A vida de nós trabalhadores é assim, precisamos ter um limite e respeitar as nossas finanças.
Jogue este mesmo conceito ao mundo político. Imagine que você é prefeito/prefeita de uma cidade, digamos, como Bauru. Ou um governador de um Estado, digamos, como São Paulo. Você, é claro, tem as suas convicções, os seus cálculos políticos, o seu modo de administrar, até porque governar é fazer escolhas. Vão surgir embates sobre pontos de vista que divergem, pois nem todos pensam igual e isso é normal, faz parte da democracia. Muito comum tanto na política quanto na vida.
Agora vem o ponto: até quando manter convicções e permanecer no campo do embate é saudável? Qual é a hora certa de pedir a conta enquanto ainda podemos pagá-la? Ou em outras palavras, qual é a hora de se sentar à mesa com os adversários e encontrar um meio-termo que tenha como objetivo atingir o bem comum? Vamos a um exemplo prático. Estive conversando com um amigo aqui em Bauru que passou boa parte da madrugada de um sábado em uma fila, na chuva, na esperança de conseguir uma senha para a vacinação da sogra contra a Covid-19. Nessa a fila, a maioria das pessoas tinha mais de 70 anos.
Hoje, quase todos nós temos em mãos uma ferramenta de comunicação extremamente poderosa. Será que essa fila tinha que ser física? Uma gestão apropriada certamente poderia ter feito distribuição de senhas (ou pelo menos grande parte dela) de forma digital, evitando as tão temidas aglomerações.
Essa é a conta que estamos pagando, colocando em risco a vida de pessoas que estão próximas a nós. Há momentos em que o diálogo e o bom senso em busca do melhor para todos deve ser o foco principal. Nossa Saúde, Bauru, São Paulo e, em última análise, o Brasil têm que ser maiores que disputas de poder. Max Weber, um dos pais da sociologia, dizia que "o político deve ter paixão por sua causa; ética em sua responsabilidade; mesura em suas atuações".
É hora de ouvirmos essa mensagem, antes que a conta fique ainda mais cara.
O autor é ex-secretário de Desenvolvimento Econômico de Bauru, acadêmico de Gestão Pública.