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O último dia após 22 anos

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 2 min

Foram 22 anos de atividades, atendendo, em alguns fins de semana, até 700 pessoas ao mesmo tempo. Tradicional em Bauru, a choperia e pizzaria Do Outro Lado, que ficava na quadra 29 da avenida Nações Unidas, é mais um estabelecimento da cidade que está fechando as portas, após sucessivas perdas financeiras provocadas pela pandemia da Covid-19.

Nesta última quarta-feira (10), a reportagem do Jornal da Cidade esteve no empreendimento e conversou com a proprietária, Alzira Maria Lourdes Borges, em meio ao cenário de desmontagem da estrutura do local: cadeiras empilhadas, ventiladores desinstalados e toalhas de mesa dobradas.

Alzira conta que, nos últimos três anos, em razão do desempenho ruim da economia do País, o movimento de clientes já tinha diminuído, porém, as margens de lucro ainda eram garantidas. Com a chegada da pandemia e os prejuízos acumulados, ainda insistiu no negócio durante o ano passado, mas, no início de 2021, quando o aluguel foi reajustado em quase 30% em razão da alta do IGP-M (indexador utilizado para fazer a correção dos valores), não teve outra saída a não ser decidir deixar o prédio.

"Subiria de R$ 16 mil para quase R$ 21 mil, fora o IPTU, despesas com fornecedor e salários dos funcionários. Sem prazo para poder receber os clientes novamente, ficou completamente inviável. E, com a vacinação acontecendo devagar como está, dentro de um ano, as coisas ainda não estarão normalizadas", analisa.

Segundo a proprietária, o movimento de público durante a pandemia, mesmo nas fases menos restritivas, não chegou a 50%. Ela ainda tentou se adaptar ao modelo de vendas por delivery, mas, sem experiência neste tipo serviço, acabou desistindo.

SEM SAÍDA

O prejuízo registrado até ali, somado aos que se sucederam nos momentos em que a cidade ficou na fase vermelha, levaram Alzira a vender bens e a fazer um empréstimo. "O que conseguíamos viabilizar por delivery no mês sequer pagava o aluguel. Não teve jeito", lamenta.

Dos 30 funcionários que chegou a ter antes da pandemia, ela ainda manteve 19 até o fim das atividades da choperia na Nações - mesmo em casa, eles continuaram recebendo salário. "Foi um ano muito duro. Você não faz ideia do quanto eu sofri. É claro que não seria do meu feitio fazer algo desse tipo, mas agora consigo entender quando um empresário fecha as portas e desaparece. Chega uma hora em que a gente não vê mais saída", completa.

Ainda percorrendo as cadeiras empilhadas do estabelecimento, a empresária já guarda, em tom nostálgico, as lembranças destes 22 anos de trabalho, inclusive de clientes que chegaram ainda crianças e que continuaram prestigiando a choperia quando já estavam casados.

Apesar de ter encerrado as atividades na Nações Unidas, o empreendimento passará a funcionar, em breve, junto com o restaurante do Do Outro Lado, que pertence ao filho de Alzira e fica na quadra 12 da rua Almeida Brandão. "Ele também já estava cogitando a possibilidade de fechar e resolvemos nos juntar para dividir despesas. Quando tivermos uma data para voltar a atender, divulgaremos nas redes sociais", adianta.

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