Internacional

Cúpula entre os EUA e China no Alasca termina em clima 'ameno'

FolhaPress
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Anchorage - A primeira cúpula entre as diplomacias americana e chinesa após a posse de Joe Biden, em janeiro, terminou nesta sexta-feira (19), em Anchorage (Alasca), com um tom bem mais ameno do que seu explosivo começo.

Foi um teste de forças, no qual a nova China preconizada por Xi Jinping encarou os Estados Unidos de Biden, ainda buscando modular seu lugar no mundo após os turbulentos anos de Donald Trump na Casa Branca.

Foram abertas cartas de um jogo bruto para o rival e para os públicos internos, que não se queixarão do desempenho de seus representantes. Mas ao menos houve a conversa, algo que estava interditado pelo acirramento da Guerra Fria 2.0 promovida em todas as áreas possíveis por Trump.

O secretário de Estado norte-americano, Antony Blinken, disse que não houve surpresas acerca da reação da dupla de Pequim, o chanceler Wang Yi e o diplomata principal do Partido Comunista, Yang Jeichi.

DIVERGÊNCIAS

O secretário de Estado afirmou que, apesar de divergências óbvias em temas como a liberdade em Hong Kong, o status de Taiwan e o tratamento aos muçulmanos da província chinesa de Xinjiang, foram tratadas questões comuns: mudança climática, Afeganistão, Coreia do Norte e Irã.

Qualquer avanço nesses itens, em especial o clima, já seria um bom começo. Significativamente, o manejo da pandemia que tanto dividiu os países não foi citado.

A visão chinesa, menos detalhada nesta sexta, emergiu por um meio heterodoxo: postagens no Twitter, que é proibido na China, de citações de seus enviados ao Alasca colhidas pela rede internacional estatal de TV CGTN.

Segundo elas, Wang afirmou que "a soberania é uma questão de princípios, e os EUA não devem subestimar a determinação da China em defendê-la".

Seja como for, até porque ocorreram a portas fechadas no hotel Captain Cook, as conversas deste sábado parecem ter sido menos difíceis do que as realizadas na véspera.

A abertura feita pela dupla americana foi um espetáculo pouco visto na diplomacia: ambos falaram claramente os itens que incomodam os EUA, que seriam detalhados a seguir.

Os chineses retrucaram com uma retórica fortíssima, na qual até o movimento Vidas Negras Importam foi evocado para espicaçar os americanos. 

Nada que não tenha acontecido antes de lado a lado, mas sentados frente a frente e com repórteres presentes, isso foi inédito. Os relatos finais falaram de quatro horas de conversas francas, mas em tom mais tranquilo.

Isso reforça a ideia de que todos jogavam para as plateias interessadas em saber com será desfeito o nó que Biden chamou de principal disputa geopolítica do século 21, sem exagero retórico algum quando se vê o que está em jogo.

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