Botucatu - A Câmara de Botucatu (100 quilômetros de Bauru) aprovou nesta segunda-feira (22), em sessão virtual, requerimento de autoria dos vereadores Sargento Laudo (PSDB) e Abelardo (Republicanos) que pede ao Conselho Municipal de Saúde a realização de estudos visando, com a orientação de médicos das unidades básicas de saúde, à distribuição de ivermectina a munícipes que queiram utilizá-la como tratamento precoce da Covid-19. O documento também solicita que os pacientes diagnosticados com a doença, caso desejem, tenham à disposição medicações como cloroquina, azitromicina e antitérmicos.
O vereador Abelardo iniciou o debate pedindo destaque da matéria no pequeno expediente. Pelo regimento da Casa, quando uma propositura recebe destaque, ela deve ser votada à parte das demais. Assim, ele e o vereador Sargento Laudo tiveram tempo, já nesta fase da sessão, para defender a ideia de sua autoria por meio de colocações em suas falas e exibição de vídeos que, na opinião deles, corrobora a eficácia do tratamento precoce da Covid-19.
Para que os demais vereadores pudessem participar da discussão, o presidente da Câmara, Palhinha (DEM), solicitou que o requerimento fosse transferido para a ordem do dia, mudança que foi aprovada em plenário. O debate contou com posições favoráveis e contrárias. Quem defendeu o pedido levantou pontos como a necessidade de resposta oficial do Conselho de Saúde para justificar o uso ou não da medicação e o direito do munícipe ter acesso a remédios caso estudos comprovem sua eficácia.
Os argumentos para rechaçar a propositura foram questões como ausência de comprovação científica sobre a eficácia da ivermectina no tratamento precoce da Covid, a falta de sensibilidade com os profissionais de saúde ao não ouvi-los, a confiança nos gestores da saúde e profissionais da Unesp em suas prescrições e protocolos e a desinformação gerada em torno do requerimento na Internet, que propagou que a Câmara votaria a utilização da ivermectina quando, na verdade, se tratava da solicitação para realização de estudo sobre a possibilidade.
Votaram favoráveis ao requerimento os vereadores Abelardo, Cula (PSDB), Erika da Liga do Bem (Republicanos), Sargento Laudo, Rose Ielo (PDT) e Silvio (Republicanos). Os contrários foram Alessandra Lucchesi (PSDB), Cláudia Gabriel (DEM) e Marcelo Sleiman (DEM). O presidente da Casa não vota e o vereador Lelo Pagani (PSDB) justificou a ausência da sessão com atestado médico.