Brasília - O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), reafirmou nesta sexta-feira (26), o descontentamento com o trabalho desempenhado pelo ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo. A manifestação ocorreu no final da manhã, quando Bolsonaro esteve na residência oficial do presidente do Senado para uma visita de cortesia. O encontro não estava previsto. Bolsonaro deixou a cúpula do Mercosul (leia na página 18) para ir conversar com Pacheco.
Parlamentares governistas e de oposição tanto da Câmara quanto do Senado têm pressionado pela saída de Araujo da pasta, especialmente por causa das relações do Brasil com a China. "A permanência ou a saída do ministro, qualquer que seja ele, inclusive do ministro de Relações Exteriores é uma decisão que cabe ao presidente da República. O que nos cabe enquanto Senado federal, Câmara dos Deputados, enquanto parlamento, é cobrar ações, fiscalizar. Nós consideramos que a política externa do Brasil ainda está falha. Ela precisa ser corrigida, ela precisa melhorar a relação com os demais países, inclusive com a China, que é o maior parceiro comercial do Brasil", ressaltou Pacheco.
A declaração foi feita após Pacheco ter se reunido virtualmente durante três horas com governadores de 23 estados e do Distrito Federal, no início da manhã de hoje.
CRÍTICAS
O governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), estava na reunião entre o presidente do Senado Federal, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), e o Fórum de Governadores, e criticou o decreto presidencial que cria o Comitê de Coordenação Nacional para Enfrentamento da Pandemia, por não citar os demais entes da Federação. "Como nós podemos achar que há uma coordenação nacional sem Estados e municípios, se lá estão os leitos?", questionou o governador.
Dino afirmou também que esperava que o presidente Bolsonaro compreendesse que "ninguém tem direito de fazer politicagem ou campanha eleitoral sobre 300 mil mortos". Porém, o governador entende que o decreto de criação do comitê sem a participação dos governadores e prefeitos "é a prova de que não entendeu e nem vai entender". "Ele não sabe o que é coordenação nacional", concluiu Dino.
O decreto que prevê a criação do comitê foi publicado no Diário Oficial da União nesta sexta-feira. O texto indica que o grupo será composto de representantes dos Três Poderes e direcionará as medidas no combate ao coronavírus, sob a coordenação do presidente Jair Bolsonaro.