Articulistas

O Segundo Dia

Claudio Roberto Canata
| Tempo de leitura: 3 min

Sabemos que Jesus foi morto numa sexta-feira e se revelou ressuscitado num domingo. Mas você já notou que nos Evangelhos quase nada é dito a respeito do segundo dia? Como teria sido o processo de ressurreição, no decorrer do sábado, no interior daquele sepulcro escuro e fechado por grande e pesada rocha? Não sabemos. O que sabemos é que Jesus, triunfante, saiu ressuscitado do sepulcro no terceiro dia. A morte não conseguiu segurá-lo.

Jesus foi preso, julgado e crucificado. O primeiro dia nós sabemos como foi. Lágrimas de sangue no Getsêmani. Traição. Prisão. Humilhação. Exposição pública. Trocado por Barrabás. Nudez. Crueldade. Dor extrema. Zombaria: "salva-te a ti mesmo, desça da cruz!". Vinagre em vez de água. Morte. Sepultamento.

Também sabemos o que aconteceu no terceiro dia: a glória da Ressurreição, a vida triunfando sobre a morte. Mas, e o segundo dia? Já percebeu que, quando sentimos uma grande perda ou decepção, a dor se faz sentir com maior intensidade no dia seguinte à tempestade? Para os discípulos, o segundo dia certamente foi o mais longo. O Caminho, a Verdade e a Vida estavam dentro do sepulcro. Choro. Terror. Desespero. Desânimo total. Esperanças perdidas. Estão com medo das retaliações dos judeus, por isso escondem-se como coelhos assustados (João 20:19). Os discípulos no caminho de Emaús também estão tristes e desanimados, e saem de Jerusalém (Lucas 24).

Mas o que eles não sabiam é que, no dia mais longo e difícil de todos, a vitória da Vida sobre a morte estava sendo gerada dentro do sepulcro fechado. Ali, longe dos olhos de todos os entristecidos, a Ressurreição era preparada.

O domínio da morte estava sendo quebrado: "Onde está, ó morte, o teu aguilhão? Onde está, ó inferno, a tua vitória?" (I Coríntios 15:55).

Você está vivendo o seu "segundo dia"? Ele parece longo demais? Anime-se! A morte não pode vencer a vida, a tristeza não pode derrotar a alegria. O terceiro dia, o dia da Ressurreição, está sendo preparado, porque nada pode impedir o amanhã de vir à luz. E o que fazer até lá? O mesmo que fizeram Maria (mãe de Jesus), Maria Madalena e Salomé (Mc 16:1): mesmo tristes e de luto, elas prepararam especiarias e unguentos, e foram ao sepulcro, no amanhecer do domingo, para ungir o corpo de Jesus (Lc 23:56).

Sabe o que é isto? Um ato de devoção e de adoração. Quando Jesus nasceu, os reis magos o adoraram, e também o presentearam. Agora, na sua morte, as mulheres repetem o gesto. Querem honrar o Mestre. A dor não as impediu de adorar. Mas tem mais: a Bíblia diz que, no segundo dia, ou seja, no sábado, as mulheres "descansaram ... em obediência ao mandamento" (Lc 23:56, NVI). E o que isso nos ensina? Que no segundo dia, no mais longo dos dias, devemos descansar no Senhor. Porque descansar é um mandamento: "Descansa no Senhor, e espera nele" (Salmo 37:7a). Ao se dirigirem ao sepulcro, no alvorecer do domingo, as mulheres ainda não sabiam que o milagre já havia acontecido! Sim, enquanto todos choravam, a Ressurreição se consumara.

A salvação da Humanidade estava garantida em Jesus! Aquelas mulheres, enfim, tiveram o privilégio de presenciar o maior milagre de todos os tempos: foram as primeiras a encontrar o Cristo já ressurreto! Por isso, creia: você pode estar passando pelo seu "segundo dia", mas o milagre já está sendo preparado!

Não deixe de buscar e adorar o Senhor, espere Nele, e o mais Ele fará. O terceiro dia chegará!

 O autor é juiz federal e professor de curso de pós-graduação.

Comentários

Comentários