Tribuna do Leitor

Navio Negreiro

Eli Elias - Servidor público licenciado
| Tempo de leitura: 1 min

Novamente desperto e a angústia logo recomeça; A febre não cessou, as àguas chegam mais perto; Encobrem-nos totalmente por longos segundos,

É tortura angustiante, de nada adianta gritar por socorro, nossas vidas não importam mais para eles; Acorrentados, deitados, cada centímetro foi estritamente aproveitado, a minha direita jaz um corpo que morreu ontem; Sorte dele, fugir desse inferno... Pelo menos agora terei um pouco mais de espaço;

O cheiro de detritos é quase indescritível mas por incrível que possa parecer se vai acostumando... Quando as águas vêm encobrir minha face novamente afogo-me juntamente em agonia e desespero. Quando as águas se vão e posso enfim respirar,

Pego fôlego preparando para próxima vaga que me submergirá novamente, sempre penso que será o último instante... Sinto a vida e como se fosse a última oportunidade, o último momento, faço da tristeza companhia.

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