Estamos entrincheirados em nossas casas por medo da exposição ao vírus. Muitos de nós com todo o conforto, trabalhando em "home office" ou não, mas com comida farta nos armários e geladeiras, uma internet que dá acesso à diversão e que nos mantem atualizados sobre as notícias no mundo, enquanto aguardamos a chegada de tempos menos sombrios. Algumas pessoas tendo mais recursos do que outras, podendo desfrutar por bastante tempo nestas condições.
Eu não estou dizendo que isto está errado, muito pelo contrário, a orientação das autoridades de saúde é exatamente esta - fique em casa - e, se você tem condições financeiras para passar por esta tormenta com conforto, beleza! Sorte sua. A questão aqui elencada é a maneira com que estamos lidando com esta "guerra" sem bombas que estamos vivendo. A realidade é esta - milhões de pessoas mortas em pouco mais de um ano, o sistema público de saúde entrando em colapso, a população vivendo o terror psicológico da incerteza do que o futuro lhe reserva, a economia do país à beira da pior crise dos últimos tempos. A consequência deste panorama devastador é a fome assombrando a camada mais carente da população.
Peço que direcionem o olhar para a triste realidade de carência de recursos que vivem (ou sobrevivem) muitas famílias bem próximas a nós. Houve um crescente aumento na demanda por cestas básicas. Em contrapartida, a doação de alimentos reduziu sensivelmente, preocupando as entidades envolvidas com o amparo à esta população já tão sofrida.
Faço aqui um apelo, como cidadã bauruense e como cristã católica - olhe ao seu redor, pratique a solidariedade e partilhe com seu irmão o que não lhe faz falta. Procure a sua igreja, não importa a religião, para doar alimentos não perecíveis e kits de higiene e limpeza, ou os órgãos públicos responsáveis pelo bem estar social, pois quem serve ao seu irmão está servindo à Deus. Tenha empatia. O drama do outro, um dia pode ser o seu.
A autora é pedagoga, roteirista e blogueira.