Temos que sofrer baixinho para não atrapalhar o sossego dos demais. A sociedade está cada vez mais intolerante com aqueles que demonstram fraqueza. Mas já observou quantas vezes você teve que ser forte para permitir que alguém fosse fraco?
Alguns possuem o dom de carregar o peso do mundo nas costas para aliviar a carga daqueles que não possuem força de vontade ou determinação. A sensação de estar equilibrando uma pilha de pratos de louça é comum para os que são pilares. Muitos acham que os fortes podem ser tratados de qualquer maneira, suportam ouvir palavras mal elaboradas ou brincadeiras infames, afinal, os que aguentam as pancadas são vistos como imbatíveis.
Entretanto, por trás da postura de guerreiro, está alguém que venceu batalhas silenciosas e chorou sem ninguém ver. O invisível é testemunha da quantidade de lágrimas derrubadas e do choro engolido para seguir em frente. Os fortes possuem o dom de transmutar as energias com mais facilidade, conseguem se renovar e são capazes de administrar suas feridas com mais eficácia. Há quem faça o próprio chá e não tem o direito de esperar ser servido.
Uma lenda diz que os espíritos mais fortes vieram para a Terra para tentar aprender grandes lições e levar luz aos locais mais sombrios e desumanos. O detalhe que não contaram é que também vieram acomodados, folgados, seres que querem receber sem merecer, e não avisaram que os bons teriam que aprender a "se virar" e carregar os fracos nas costas. A guerra mais forte é a que lutamos com nós mesmos, nesta sociedade que continua anulando sentimentos, os mais fortes continuam aprendendo e sobrevivendo com a silenciosa dor.
A autora é colaboradora de Opinião.