Porto Alegre - Uma mulher de 77 anos, que assinou um termo de recusa para a vacina contra a Covid-19, morreu em decorrência da doença, no último domingo (23), em Esperança do Sul, na região noroeste do Rio Grande do Sul.
O caso foi divulgado agora em uma publicação da prefeitura no Facebook, preservando dados pessoais da paciente. A prefeitura diz que, como a vacina é opcional, o termo é assinado por todas as pessoas que decidem não tomar o imunizante.
"Sabe-se que hoje as vacinas existentes não protegem 100% a pessoa imunizada de se contaminar, porém previnem que a doença evolua para os casos mais graves, que exigem internações e podem levar ao óbito", diz a publicação.
POUCOS ASSINARAM
De acordo com a prefeitura, menos de 50 pessoas assinaram termos de recusa da vacina no município, que tem 2.885 habitantes, segundo estimativa do IBGE (Instituto Brasile iro de Geografia e Estatística).
O documento diz que a pessoa se recusa a receber a vacina recomendada pelo Ministério da Saúde e que se responsabiliza por quaisquer eventos decorrentes dessa ação.
"Nós fizemos buscas das pessoas com a idade ou com comorbidades nas residências para que possam se vacinar. O termo nos ajuda no controle e nos assegura também de, futuramente, a pessoa dizer que não foi comunicada da vacina na sua idade ou no seu grupo", explica o secretário municipal de Saúde, Ademir Villers da Cruz.
A Secretaria Estadual de Saúde diz não existe uma orientação do governo para o preenchimento de termos de recusa e que a decisão sobre o registro cabe a cada município. "Alguns preferem ter o documento como segurança de que a dose foi oferecida para aquela pessoa e houve a recusa", disse a pasta em nota.
Outros municípios da região também adotaram a medida. Em Tiradentes do Sul, com 5.616 habitantes estimados pelo IBGE, o secretário de Saúde, Maurício Beier, diz que são poucas as pessoas que têm recusado o imunizante.
Assim como no município vizinho, caso a pessoa que assinou o termo mude de ideia depois, ela pode ser vacinada.
"A pessoa pode decidir se quer fazer ou não, se está em sã consciência, ela tem essa alternativa, por isso, a gente fez esse termo. Poucas pessoas têm recusado", diz ele.
Das 5,2 milhões de pessoas estimadas como parte grupo prioritário no RS, 58,5% receberam a primeira dose até esta sexta e 27,9%, a segunda. O estado aplicou 80% das doses distribuídas.
O estudo epidemiológico conduzido pelo governo junto à UFPel (Universidade Federal de Pelotas) indicou no fim de abril, um ano depois do início da pandemia, que 1 em cada 5,5 gaúchos tem anticorpos para o coronavírus, cerca de 2 milhões dos 11,3 milhões de habitantes.