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Maio tem recorde de casos de Covid

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 3 min

O mês de maio terminou com recorde de toda pandemia em novos casos de Covid-19 em Bauru. Dados dos boletins epidemiológicos emitidos diariamente pela prefeitura indicam novo acréscimo mensal e mostram que, ao longo dos 31 dias do mês, foram contabilizadas 5.428 confirmações da doença (confira no quadro).

Embora a enfermidade venha se alastrando com rapidez, as estatísticas mostram que ela não tem feito vítimas fatais com a mesma velocidade. Pelo contrário: houve queda. Em maio, houve 24% a menos de registros de óbitos do que o mês anterior. Foram 176 mortes em abril contra 133 em maio.

Apesar da queda na letalidade, o secretário municipal de Saúde, Orlando Costa Dias, vê como preocupante a situação atual, explicando que o reflexo do recorde de casos pode ser indício de antecipação da terceiro onda. Ele aponta ainda um provável aumento dos óbitos neste mês, porque as mortes ocorrem, geralmente, algumas semanas após a internação ou a descoberta da doença.

COMPARAÇÕES

Em 2020, quando Bauru viveu sua primeira onda da Covid-19, o número de novos casos atingiu pico nos meses de setembro e outubro, com, respectivamente, 4.195 e 4.327 confirmações.

Em 2021, contudo, a contaminação voltou a crescer, batendo 4.642 registros em janeiro. Mas, em fevereiro, houve queda novamente para 3.022 novos casos.

Em março, as confirmações da doença saltaram mais uma vez, chegando a 4.701 infectados, 55% a mais do que em fevereiro. E, em abril, o crescimento continuou, atingindo 5.407 registros, 15% acima do que o índice anterior. Com o fim de maio, um terceiro aumento foi percebido e o recorde foi alcançado: 5.428 novas confirmações da doença, 21 a mais do que no mês anterior.

RETRANSMISSÃO

Hoje, a taxa de retransmissão da Covid-19 na sub-região de Bauru indicada na plataforma SP Covid-19 Info Tracker, contudo, é de RT 0,88, sendo que o limiar considerado preocupante é acima de 1.

Cientista de dados e coordenador da Info Tracker, Wallace Casaca explica, entretanto, que o índice não se refere apenas a Bauru e inclui também Botucatu, Lençóis Paulista e Jaú. "A região puxa Bauru para um número melhor. Se fosse a cidade isolada, o índice de retransmissão seria muito pior", analisa.

"Há tempos, por exemplo, Bauru não apresenta redução significativa nas internações pela doença. A última vez que a taxa de ocupação das UTIs esteve abaixo de 80% foi em 16 de janeiro. Os hospitais estão lotados e, tecnicamente, estar acima de 90% não significa ter leitos, porque, quando isso ocorre, sobram dois ou, no máximo, três leitos, que são ocupados rapidamente", completa.

O pico de internações em maio, segundo ele, ocorreu no dia 31, quando 187 pacientes estavam internados com a Covid-19 ou com suspeita na cidade, sendo 81 em UTIs. 

TERCEIRA ONDA

O secretário de Saúde atribui o recorde de casos de maio às flexibilizações e diz que os números podem ser indicadores de que a terceira onda, prevista para o fim de julho e agosto, pode se antecipar na cidade. "Há, hoje, certa sensação de normalidade entre as pessoas. Tenho visto muita gente sem máscara e despreocupada. Enquanto isso, as UPAs estão se enchendo de Covid. Não tenho dúvida de que a terceira onda ocorrerá e pode ser em junho", observa Orlando Costa Dias.

O titular da pasta descarta, contudo, qualquer medida municipal restringindo atividades comerciais neste momento. "O lockdown é o último recurso, espero que não seja necessário. Estamos com hospitais em 100%, mas a cidade e o comércio já sofreram demais", finaliza.

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