Cultura

Teló celebra uma década de sucesso

Ana Beatriz Garcia
| Tempo de leitura: 4 min

Michel Teló está de volta como técnico do programa "The Voice Kids", na TV Globo. Como um dos responsáveis por selecionar e orientar as crianças e adolescentes que têm o sonho de se tornar cantores, ele utiliza de toda experiência já vivida ao longo de quase 30 anos de carreira profissional, sendo a última década, após seu grande hit "Ai, Se Eu Te Pego, gravada por ele em 2011.

"Eu já passei por todas as etapas de uma carreira. Desde carregar equipamento, passando por gravar e produzir o próprio disco, até tocar no mundo todo. É essa experiência de persistência que pretendo passar para os candidatos", diz Teló, aos 40 anos.

"Ai, Se Eu Te Pego" ajudou, no Brasil, a popularizar um movimento que estava em marcha há pelo menos três anos: a música sertaneja deixava a beira do fogão de lenha, o interior do País, e chegava com força às capitais para tocar em baladas - ou seja, se tornava pop.

Com isso, a dor de cotovelo era deixada de lado - tema que, mais tarde, seria retomado e rebatizado de "sofrência" - para ganhar letras mais comuns, com certa dose de malícia e uma essencial coreografia. A viola perdia o protagonismo para a batida da percussão com o intuito de colocar o povo para dançar. Ao lado de Teló, destacaram-se nomes como Gusttavo Lima, Luan Santana e duplas como João Neto & Frederico e Jorge & Mateus.

REFRÃO MARCANTE

Teló conheceu os versos "Delícia, delícia/ Assim você me mata/ Ai, se eu te pego/ Ai, ai, se eu te pego" por acaso, quando fazia um show no interior da Bahia. O refrão nascera de uma brincadeira de seis amigas, em 2006, e havia sido transformado em música pelos compositores Sharon Acioly e Antonio Dyggs. A canção ganharia, na verdade, apenas mais uma estrofe. E seria o suficiente.

O cantor logo a incluiu em seus shows. Percebendo que seria sucesso, resolveu gravá-la imediatamente. O clipe oficial, postado no canal oficial de Teló no YouTube em julho de 2011, está muito perto, dez anos depois, de 1 bilhão de visualizações.

A título de comparação, a canção Balada (Tchê Tchê Rere), de Gusttavo Lima, lançada no mesmo ano, tem, no canal oficial da gravadora Som Livre, nesses quase dez anos, pouco mais de 116 milhões de visualizações. O destaque atual entre os sertanejos, Batom de Cereja, da dupla Israel & Rodolffo, tem, em quase 4 meses após o lançamento, 256 milhões.

Com "Ai, Se Eu Te Pego", Teló entrou em paradas musicais de países como Alemanha, França, Holanda, Bulgária, Dinamarca, Rússia, Japão e Israel. Em muitos deles, o cantor foi se apresentar. Jogadores como Cristiano Ronaldo e Neymar e o tenista Roger Federer foram alguns dos atletas que repetiram publicamente a dancinha criada pelo sertanejo, ajudando a popularizá-la.

"Ainda toca no mundo. Muitas pessoas me dizem 'fui para a Europa, fui para a Ásia e ouvi Ai, Se Eu Te Pego'. Virou uma referência de música de alegria. É a Macarena brasileira", diz Teló. "Eu fiquei, durante muitos anos, entre os artistas mais vistos no YouTube no mundo inteiro. Se atualizarmos os números, hoje, para um artista alcançar essa marca, tem que ter 4, 5, 7 bilhões", completa.

SUCESSO

Teló poderia ter caído na maldição de um hit só. Entretanto, o cantor e sanfoneiro já tinha uma longa estrada quando experimentou o sucesso - como artista mirim e adolescente e, depois, como destaque por doze anos dentro do Grupo Tradição, banda de Campo Grande, cidade em que o paranaense Teló se criou.

Logo na sequência de "Ai, Se Eu Te Pego", emplacou Humilde Residência e, três anos após, ganhou um quadro no programa Fantástico, o Bem Sertanejo, criado por ele mesmo. Na atração, passou a história do sertanejo a limpo com convidados como Chitãozinho & Xororó, Almir Sater, Daniel, Roberta Lima, Paula Lima, Leonardo e Luan Santana. A série virou um livro, escrito em parceria com o jornalista André Piunti.

Desde 2015, substitui o colega Daniel no The Voice Brasil, no qual foi pentacampeão e, agora, assume uma cadeira na versão Kids do programa. "Eu aceitei fazer o programa com o intuito de passar uma mensagem para as crianças. De uma maneira leve, tranquila, quero falar que a decisão de seguir uma carreira artística é algo sério e exige um trabalho árduo", diz.

Em seu mais recente álbum, Para Ouvir No Fone, gravado no período de quarentena, destaca o sertanejo raiz, com modas de viola que falam de amor e das coisas simples da vida. Soa diferente de tudo o que já fez, com um cantar mais intimista. "Se não fosse a pandemia, talvez não o tivesse gravado", revela o cantor, que confessa ser fã do sertanejo para dançar que o consagrou.

 

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