A polonesa Olga Mecking tem uma missão: convencer as pessoas de que elas precisam fazer nada. Nadinha. Necas de pitibiribas. Ou, para usar um linguajar mais descolado e exótico, "niksen". A palavra em holandês, que significa "fazer algo sem utilidade e aproveitar o ócio", é título do novo livro da autora, lançado no Brasil pela Editora Rocco. O tema voltou à tona durante a pandemia, quando muitos se sentiam cobrados a serem produtivos o tempo todo. Nas redes sociais, enquanto internautas postavam sobre novos cursos, hobbies, livros e projetos decorativos, outros se sentiam inferiores para usar o tempo fora do trabalho ou do estudo para o ócio. Isto sem falar também na pressão da crise econômica, que leva muitos à necessidade de "mostrar serviço" ou de realmente "correr atrás" em tempo integral.
Em "Niksen - Abraçando a arte holandesa de não fazer nada", Mecking reúne o que aprendeu nos últimos anos sobre a "técnica", da qual virou uma espécie de porta-voz após escrever artigos sobre o tema para veículos como "New York Times", "Washington Post" e "The Guardian". "Estar ocupado não é algo ruim por si só, mas acho que avançamos tanto para uma espécie de glorificação do estar ocupado, que esquecemos de diminuir um pouco o ritmo. Sentimos que cada hora da vida deve ser gasta de maneira eficiente, caso contrário estaremos perdendo tempo."
Às vezes, a sobrecarga da rotina é tamanha que fazer nada se torna uma missão quase impossível. E esse não é o objetivo do "niksen". Ao contrário de outras modas ou tendências de bem-estar, que na visão de Mecking têm nos tornado escravos de ideais inalcançáveis e só servem para acrescentar mais tarefas às nossas já extensas listas de afazeres, a ideia por trás do conceito holandês é tornar o ócio uma prática novamente aceitável - e desejável.
"É sempre dito que você deve se dedicar mais ao trabalho, aos filhos, à cozinha, às compras. É exaustivo. Talvez seja bom não fazer nada e deixar de buscar melhorar a si mesmo a cada segundo."
Mecking fala sobre a importância de considerar diferenças durante a pandemia. "Sei que existem pessoas que, de repente, se viram com muito mais tempo livre sobrando e começaram a aprender coisas como fazer pão de fermentação natural. Mas também há aquelas que apenas estão totalmente exaustas com o trabalho, com a escola das crianças, com as atividades domésticas e tudo o mais. Então devemos sempre especificar sobre qual grupo estamos falando, porque as respostas serão distintas."