Tribuna do Leitor

Ser do bem não se aprende na faculdade

Luciana Dias Duarte Falcão, servidora pública e brasileira, de verdade
| Tempo de leitura: 2 min

Aos Semeadores do Bem: ao ver a imagem do médico que ofendeu uma egípcia, com comentários de duplo sentido, só há uma sensação: vergonha do que nos tornamos... Na entrevista dada à Folha de São Paulo, quando retornou ao Brasil, tudo nos diz: não há arrependimento, apenas a tentativa de se mostrar um brincalhão "coitado e injustiçado".

Nada nos remete ao mal que causou à nossa imagem no exterior, a qual já está tão destroçada... Nunca fomos vistos como equilibrados ou a caminho do desenvolvimento, como alguns acreditavam... nos viam como "simpáticos e alegres, mas não confiáveis". Hoje, nos veem como "irresponsáveis, indiferentes e perigosos ao mundo". Para agregar, ainda contamos com a ajuda daqueles que tiveram educação acadêmica, mas nunca desceram das árvores... daqueles que poderiam ter acesso à cultura, mas nunca aprenderam nada com isso. Para se ter educação e respeito, não é necessário buscar informações no google; basta aprender com a vida. E, com isso, 3 dias é muito pouco... leva-se anos para evoluirmos de pessoas de bem para "pessoas do bem". Viajei por muitos países, sempre respeitando seu povo - não apenas, porque estava fora de meu país... mas ainda assim, pensando que a imagem de minha terra, também dependia de mim.

Quem envia apoio à esse tipo de ser não sabe o que é amar a pátria ou ser cristão - apenas segue a loucura que decidimos expor como normal e aceitável. E mais: o conhecimento de história, quanto ao Tribunal de Nuremberg, é tosco e raso... como quem o expõe. Falar do que não conhece, é como ler na caixa de leite, sua composição... e em seguida, crer que pode emitir um parecer sobre criação de gado. Ao menos, peço aos que nunca estudaram a história, mas que insistem em aprender lendo a caixa do leite: respeitem os milhões de mortos do genocida nazista, que nunca tiveram a chance de ficar à frente a um juiz. Quem não conhece a dor, faz piada de tudo.

E faço um segundo pedido, em especial a nossos jovens: lembrem-se que país é o local em que você nasce, mas pátria é a imagem de um povo, a cultura que carregamos e a história boa ou ruim, pela qual o mundo nos conhece... somos responsáveis por isso. Aqui, mesmo que sozinha, segue meu último pedido: de perdão a egípcios e muçulmanos - em especial à jovem (cujo nome sequer foi mencionado), que demonstrou a generosidade que faltou ao ser que veio de minha terra... A Deus nada é impossível, Jacó e Saulo foram transformados - mas ambos passaram pelo arrependimento verdadeiro e mudança de caminho, sem isso, não há salvação que dê conta: seja de cada um de nós... seja de todo um país.

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