Botucatu - O Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu (HCFMB) participou de um estudo multicêntrico sobre a Covid-19 que resultou em publicação na The Lancet, revista britânica considerada um dos mais influentes periódicos médicos do mundo. A pesquisa avaliou efeitos da anticoagulação profilática e terapêutica em pacientes com a doença com o objetivo de tentar compreender agravamentos de quadro por trombose.
O estudo, denominado "Therapeutic versus prophylactic anticoagulation for patients admitted to hospital with COVID-19 and elevated D-dimer concentration (ACTION): an open-label, multicentre, randomised, controlled trial - Anticoagulação terapêutica versus profilática para pacientes internados no hospital com Covid-19 e concentração elevada de dímero D (ACTION): um ensaio clínico aberto, multicêntrico, randomizado e controlado", é 100% brasileiro.
A pesquisa foi realizada entre os meses de junho de 2020 e fevereiro de 2021, com mais de 600 pacientes incluídos em 31 hospitais do país, e pode ser acessada através do https://authors.elsevier.com/c/1dBO3V-4XDQv2. Sabendo que a Covid-19 gera propensão a trombose, podendo agravar o quadro clínico do paciente hospitalizado, o estudo se propôs a avaliar a anticoagulação profilática e a terapêutica na evolução destes pacientes.
Diego Aparecido Rios Queiroz, integrante do Time de Resposta Rápida (TRR) e médico preceptor da Clínica Médica Geral do HCFMB, foi um dos coordenadores do estudo, ao lado de Paola Balin, doutoranda em Fisiopatologia em Clínica Médica.
"Os resultados mostraram que, em pacientes hospitalizados com Covid-19 e dímero-D elevado (exame de sangue que pode indicar maior risco de trombose), a estratégia de anticoagulação plena, quando comparada à dose preventiva, não demonstrou diferença em relação à mortalidade, tempo de internação ou tempo de necessidade de oxigênio suplementar e, de uma forma geral, houve mais sangramentos no grupo dose plena", conta o médico.
Com os resultados da pesquisa, os médicos que atuam na linha de frente do combate a Covid-19 têm mais subsídios para a tomada de decisão quando perceberem risco maior de trombose em pacientes hospitalizados, situação que, até então, não possuía evidências científicas.
PRÓXIMOS PASSOS
O estudo é um projeto fruto da Coalizão Covid-19 Brasil, um grupo de hospitais e instituições que organiza e une esforços de vários centros de pesquisa no país buscando responder importantes questões associadas ao tratamento da doença. Segundo Queiroz, o foco agora está voltado para paciente com Covid ambulatorial (não hospitalizado).
"Ainda não temos resposta certa e, atualmente, vamos começar a recrutar esse perfil de paciente para estudar se a anticoagulação em casa, na dose baixa, consegue reduzir o risco de trombose e a necessidade de internação hospitalar", explica.