Cultura

Grifes da SPFW apostam em moda sem gênero

FolhaPress
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O que ficou evidente nos dois primeiros dias de desfiles desta 51ª São Paulo Fashion Week é que as marcas do calendário de desfiles querem extirpar de vez a ideia de uma moda baseada em tendências. Não houve unidade visual de cores, ideias sobre a "peça da estação" - porque nem dividido por estações o evento é mais - ou tentativas de impor o que as pessoas devem vestir.

O novo desenho do estilo para um futuro próximo é não ter desenho definido, mas sim uma perspectiva solta sobre as regras do passado e uma imagem vinculada aos gostos pessoais de quem espera poder voltar a se vestir para andar livre pelas ruas.

É sintoma desse entendimento que a apresentação de abertura da temporada virtual de desfiles tenha sido do estilista mineiro Ronaldo Fraga. Maior nome de uma corrente de designers que prega o resgate dos traços culturais autênticos do Brasil, suas roupas são inspiradas no detalhismo gráfico do Cariri, região que compreende parte do Ceará, Pernambuco, Paraíba e Piauí.

Em parceria com rendeiras locais e com o cearense Mestre Espedito Seleiro, lenda viva do artesanato em couro no País, ele produziu peças coloridas, algumas delas vazadas, com linhas sinuosas vistas nos gibões e sandálias dos vaqueiros.

Referências à religião, expressas em cruzes feitas de acessórios, e ao folclore não dão pistas sobre qualquer vínculo com os relatórios de tendências que enchem o mercado de moda rápida. E é para ser assim mesmo, porque, para Fraga e boa parte das novas marcas nacionais, o discurso e o propósito antecedem o aspecto funcional da roupa. O dele é o de valorização da cultura local, da grife baiana Meninos Rei.

Apoiados na imagem e no significado de Exú, o orixá da comunicação e da linguagem nas religiões de matrizes africanas, os irmãos Céu e Victor Rocha mostraram uma alfaiataria refinada, feita com tecidos de Guiné-Bissau, ricamente coloridos e estampados com padrões gráficos do País.

 

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