Geral

É possível identificar os vários sinais do problema

Constança Tatsch
| Tempo de leitura: 2 min

Muito importante, a prevenção ao suicídio ficou ainda mais urgente em meio à pandemia da Covid-19. Para Ricardo Braga, psiquiatra e especialista em psicoterapia, algumas pessoas sentiram a onda de solidariedade que veio com a crise e tiveram contato com seus médicos por videoconferência, mas outras ficaram mais expostas nesse período.

"Abandono, desemprego, divórcio, assim como abuso de drogas e álcool fazem com que a pessoa tenha mais risco de cair em depressão. Se tiver pensamentos suicidas e impulsividade, tem maior risco de cometer suicídio", diz Braga.

Para a psicóloga, suicidologista e autora de livros sobre o assunto, Karina Okajima Fukumitsu, a pandemia pode agravar transtornos mentais. "A Associação Brasileira de Psiquiatria traz na cartilha os quatro Ds: desesperança, desamparo, desespero e depressão. Coisas que muita gente tem vivido. Além da depressão, há problemas atrelados ao suicídio, como transtorno bipolar, esquizofrenia, borderline, dependência de álcool e drogas e outros, que envolvem sofrimentos existenciais. Eu chamo de um processo de "morrência". A pessoa deixa de acreditar no que é importante na vida", ressalta.

Durante o processo, o indivíduo deixa de sentir prazer na vida, fica carente, acumula frustrações afetivas (e na impossibilidade de agir contra quem as feriu, coloca a energia contra si mesma) e perde a tolerância existencial (quer que as coisas sejam exatamente do jeito que pensa que devem ser, não aceitando o que é diferente ou passageiro).

"Tem que haver compreensão sobre o suicídio, não há uma causa só. Muitas vezes, as pessoas falam que querem se matar porque querem matar a parte que está em sofrimento. O suicídio é a comunicação de uma dor sentida e não consentida, nem por quem está no entorno dela nem por ela mesma", explica Fukumitsu.

Segundo a especialista, as pessoas enxergam sentimentos como tristeza, ódio, frustração, inveja, vergonha e ciúmes como coisas erradas, mas continuam guardando tudo dentro de si. É preciso aprender a lidar com as emoções e comunicá-las, porque 'quem não explode, implode". "Se eu danço com você e você pisa diversas vezes no meu pé, você não é obrigado a saber, eu que sou obrigada a avisar e dizer que dói. Assim você coloca limites, aprende a direcionar a agressividade. É sua capacidade de colocar para fora o que está te machucando, porque se vai para dentro, vira autodestrutivo".

Comentários

Comentários