Morreu aos 67 anos, em Bauru, o histórico militante de esquerda, Antonio Pedroso Junior, mais conhecido como Chinelo. A morte foi atestada por volta das 11h desta segunda-feira (28) pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), após Pedroso ser encontrado por um amigo caído e já sem vida no apartamento em que morava, na região da Vila Souto. A suspeita é de que Pedroso tenha sido acometido por um infarto, mas a informação não foi confirmada pela família até o fechamento desta edição.
Após dores nas costas e mal-estar, Pedroso Junior, que era hipertenso e lutava contra gota, chegou a ser atendido na Unidade de Pronto Atendimento da Vila Ipiranga (UPA), na noite de domingo (27), mas foi medicado e, após se sentir melhor, liberado. Ele faria novos exames nesta segunda (28), mas não deu tempo.
“Tinha um coração enorme, generoso e era muito devotado aos amigos”, lamentou o agente penitenciário e sindicalista Carlos Eduardo Piotto, que foi quem levou Pedroso à UPA e o encontrou na manhã de ontem já sem vida.
TRAJETÓRIA
Bauruense e autor de vários livros, Antonio Pedroso Junior se debruçava sobre a história de perseguidos políticos, que tiveram seus direitos interrompidos durante a ditadura militar. “Ele deixará um grande legado para a história bauruense e brasileira”, comentou o amigo Henrique Perazzi de Aquino, acrescentando que o amigo era conhecido por ser um “intransigente defensor da causa dos injustiçados”.
Um dos personagens mais emblemáticos de Pedroso era também um amigo, o capitão reformado do Exército, Darcy Rodrigues, 80 anos, que foi biografado por ele após ser torturado e exilado do Brasil por abandonar a carreira para lutar contra a ditadura militar. “Nos conhecemos ainda muito jovens, nossos pais eram ferroviários. Éramos como parentes e militamos juntos. Ele [Pedroso] foi o fundador do movimento pela anistia política em Bauru, era uma referência da resistência, a perda é inestimável”, considerou Darcy Rodrigues.
Antonio Pedroso Junior foi também proprietário de uma livraria e funcionário da prefeitura de Bauru. Morou em Sorocaba e voltou para a cidade Sem Limites há poucas semanas. Atualmente, trabalhava na área de assessoria de financiamentos imobiliários com Ana Célia Ferreira Albuquerque, com que foi casado por 20 anos.
“Ele era irreverente, deixou muitos causos, piadas e histórias contadas de cada caso que se propunha a fazer justiça. Tinha um imenso coração e, quando o nosso casamento acabou, viramos grandes amigos, nos falávamos sempre. Ele tinha muitos projetos ainda...”, lamentou Ana Célia.
Entre os livros que estavam no forno e ele pretendia lançar, está um que conta a história do presídio Tiradentes a partir visão de um carcereiro que trabalhou lá.
PESAR
Antonio Pedroso era filiado ao Partido Socialista Brasileiro (PSB). O diretório publicou nota de pesar: “Pedroso Júnior construiu seu legado literário ajudando a escrever e evidenciar as histórias do passado bauruense em meio a Ditadura Militar Brasileira. Em seu livro ‘Sorocabana: União e Luta’, trazia histórias de lutas para fazer com que leis fossem cumpridas e de trabalhadores que foram demitidos e presos por se oporem ao regime ditatorial”.
Embora não fosse filiado ao Partido dos Trabalhadores (PT), a sigla também emitiu nota de pesar. “Com ele se vai parte da história deste segmento. Estamos todos consternados e cientes da imensa perda”, diz a nota. Antonio Pedroso Junior deixa o filho Pedro Antonio Ferreira Albuquerque Pedroso, 18 anos. O sepultamento ocorreu às 10h desta terça-feira (29), no cemitério São Benedito.