Tribuna do Leitor

O negacionismo é genocida

Jeferson Barbosa, Garoeiro
| Tempo de leitura: 2 min

Neste final do mês de junho de 2021 notícias pouco divulgadas dão conta do colapso do sistema de atendimento à saúde em Bauru. Mesmo considerando que os dados oficiais estão criminosamente subnotificados a cidade é forçada a viver uma cruel situação de desatendimento geral à saúde pública.

Sequer uns poucos que no desespero desse mortal desatendimento recorrem à justiça obtendo liminares que obrigam as redes a uma urgência imediata sem discussão, tampouco estes conseguem ser atendidos. Todo dia as decisões judiciais se acumulam nos balcões que não têm como cumpri-las. Não há mais onde internar os enfermos. A ausência de pessoal e equipamentos salvadores, igualmente, lota corredores onde os condenados pelo desatendimento morrem antes de poder ter acesso ao tratamento de urgência.

Como compreender tal inadmissível realidade justamente em Bauru, onde opera uma rede de saúde admirável, sem similar no Brasil?

Se não, vejamos.

Rede Hospitalar pública e privada:

Hospital de Base, Hospital Manoel de Abreu, Hospital Lauro de Souza Lima, Maternidade Santa Isabel, Hospital Estadual, HRAC/Centrinho-USP, Beneficência Portuguesa, Hospital da Unimed, Hospital São Lucas, Hospital São Francisco.

Serviços de Atendimento

18 Núcleos Municipais de Saúde, 06 Postos de Saúde da Família, 06 Postos dedicados à Saúde Mental, 08 Unidades de Pronto Atendimento, 13 Unidades Referenciais para a Saúde Coletiva, 01 Unidade de Controle de Zoonoses, 01 Serviço de Vigilância Ambiental - Dengue, 01 Serviço de Vigilância Epidemiológica - Doenças Transmissíveis, 01 Serviço de Vigilância Epidemiológica - Imunização, 01 Serviço de Vigilância Sanitária - Alimentação, 01 Serviço de Vigilância Sanitária - Produtos, 01 Serviço de Vigilância Sanitária - Serviços, 03 Unidades de Assistência Farmacêutica, 23 Consultórios Odontológicos.

Tal rede gigantesca encontra-se, hoje, cruelmente colapsada.

Tanto que desatende até mesmo as ordens judiciais para internar pacientes graves da covid-19.

Desculpas e evasivas para justificar o injustificável estão por aí, na imprensa, na Câmara de Vereadores, na Prefeitura.

A explicação, no entanto, é uma só. O negacionismo local, arraigado no negacionismo federal, desdenha e menospreza a ameaça da pandemia, sua virulência e letalidade. Faz de conta que encaminha e sustenta normalidade e despreocupação.

Consequentemente, a opinião pública enganada e alienada da verdade dos fatos, mesmo desconfiando que os óbitos talvez não sejam os mil e poucos da contagem da prefeitura, vai empurrando a pandemia com a barriga. O que faz entupir os postos de atendimento da maravilhosa rede de saúde pública e privada instalada em Bauru.

Acarretando, como resultado cruel, o colapso, quando as demais enfermidades acabam se tornando impossíveis de merecer acolhida e tratamento.

É líquido e certo, mesmo com o avanço da vacinação, nos meses seguintes, que muito mais gente ainda há de morrer por desatendimento.

Tal genocídio que é filho do negacionismo que nos domina ...

Ou, não?

Abração sem chineladas,

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