Na investigação criminal, há uma frase que diz: "Follow the Money" (sigam o dinheiro) - ou seja - para se entender um crime, deve se rastrear o dinheiro, o lucro, a vantagem - o que o motivou e quem teria interesse no resultado.
Na política, a lógica é a mesma.
Enquanto as classes mais baixas abandonaram a discussão, preocupadas com a necessidade premente de sobrevivência... Enquanto a classe média acredita no processo eleitoral e discute de forma rasa as ideologias e os nomes da moda política do momento, o capital dominante, tranquilamente, faz seu trottoir - ora se deitando com a esquerda, ora se deitando com a direita, ora com ditadores, ora com democratas, mas sempre - sempre - faturando alto.
Assim, enquanto extremados insistem no monótono discurso tautológico de "direita e esquerda", de "comunismo e capitalismo", de "Lula ou Bolsonaro", o capital segue sua marcha de acumulação, afinal, "enquanto os cães ladram, a caravana passa...".
E onde entra a política nesse contexto?
A política é o instrumento servil do capital... é aquele que garante que as coisas vão continuar a ser como são: que os pobres continuarão pobres, que a classe média vai continuar acreditando que faz a diferença e que os ricos continuarão a "nadar de braçada"... Basta vermos que em plena pandemia, os mais pobres caíram na miséria... a classe média perdeu - e muito - seu poder aquisitivo... ao mesmo tempo que o Brasil produziu 20 novos apaniguados para a lista Forbes de bilionários.
O que ganham os políticos?
Postados à margem da mesa dos comensais, esses lacaios com trajes vistosos e ar de importância aguardam as sobras do banquete, totalmente alheios à necessidade do povo ou à loucura dos sectários arrogantes que flutuam entre as duas pontas da pirâmide social.
O autor é colaborador de Opinião.