Tempos difíceis estamos vivendo em que a imbecilização no debate político se tornou majoritária. Não se argumenta mais; apenas insulta-se, agride-se, grita-se, ou seja, vulgariza-se. As ideias perdem espaço para as lacrações e para as manchetes apelativas que buscam polarizações bestiais desprovidas de fecundidades que, apenas, contribuem para o processo inurbano. O que interessa é agredir e ser o mais bestial possível. A exaltação à insciência, à ignorância e aos links de impropérios permeiam o debate político. A palavra perdeu conteúdo e a leviandade ganhou espaço, e com isso os bestiais ganharam as pautas ditando suas ignorâncias e transformando a política num verdadeiro "Fla-Flu" de várzea , onde ninguém escuta ninguém. O que vale é desconstruir e esvaziar.
Analfabetos elevados a intelectuais, escritas atentatórias a língua portuguesa são exaltadas como análises conceituais; conjugações verbais agredidas, concordâncias nominais e verbais insultadas, acentuações e pontuações desprezadas, regras autográficas enxovalhadas; enfim, vivam os analfabetos funcionais e a nova cepa do pensamento político pátrio.
Sábio Umberto Eco - escritor, filósofo, semiólogo e linguista - quando proferiu a seguinte frase: "As redes sociais dão o direito à palavra a uma legião de imbecis que antes falavam apenas em um bar e depois de uma taça de vinho, sem prejudicar a coletividade".
A bodegada da política e da análise é uma chaga do obscurantismo que vivenciamos.
As redes sociais, consagradora de ignorantes, transforma a mediocridade em excelência, a língua portuguesa em desuso, os projetos em teses mortas, o debate desértico, e a ciência em extinção. O que vale é a manchete apelativa, as lacrações, o estelionato intelectual, o debate latrinário e o engodo. Pobre e marginalizada Ciências Sociais, assistimos o naufrágio acadêmico amarfanhado por uma legião de incultos, adoradores e seguidores dos parlapatões, das análises e da existência. Populistas amorais que desconhecem qualquer senso ético, atuam como bestas feras arrogantes e ignorantes na busca pelos holofotes enganosos.
Acreditam tocar os berrantes, quando na verdade são apenas integrantes de manada manipulada a serviço da bestialização e da cultura do ódio. Incapazes de saírem das palavras de ordem vazias são robóticos treinados e catequizados para servirem ao empobrecimento da política, ao retrocesso civilizatório e ao anacronismo social; enfim, são essencialmente vulgares. Bestiais contra a ciência são agressivos e audaciosos na sua arte do aleive, afinal, não resistem muito ao argumento fecundo, assim como não suportam a constatação de suas miseráveis ignorâncias, pois para as análises e conjecturas de botecos não há critérios, nem necessidade de ciência.
Viva eles que fazem parte da legião de imbecis identificados por Umberto Eco.
O autor é bacharel em Direito, pós-graduado em Sociologia.