Num período de tantas dificuldades, algumas substâncias que podem ser prejudiciais à saúde estão servindo como estímulo e diversão para muita gente. É o caso do álcool e da cafeína. Essas duas bebidas são as drogas mais consumidas durante a pandemia, segundo o neurocientista americano Carl Hart. Para o professor do departamento de Psicologia e Psiquiatria da Universidade Columbia, em Nova York, o maior consumo dessas substâncias, porém, não implicará dependência pós-Covid.
"O álcool e a cafeína são as drogas psicoativas mais amplamente disponíveis. Portanto, são as mais consumidas. O álcool pode ajudar a aliviar a ansiedade, e a cafeína, a dar um impulso energético. Não é difícil perceber como essas qualidades podem ser benéficas em uma situação estressante como essa", afirma Hart em entrevista à BBC News Brasil.
O pesquisador lembra que a cafeína não está presente apenas no café e na barra de chocolate, mas também em analgésicos e inibidores de apetite. "É claro que as normas sociais influenciam a aceitabilidade do uso de drogas, o tipo usado, a hora do dia aceitável, entre outras coisas. Mas não acho que existam diferenças importantes entre o Ocidente e o Oriente que já não tenham sido observadas em subculturas na sociedade em geral, digamos, em um lugar como o Brasil. As normas culturais do brasileiro rico sobre o uso de drogas, por exemplo, diferem das normas dos brasileiros menos abastados", diz o neurocientista.
Hart alerta que a pessoa deve estar ciente dos efeitos de cada tipo de substância irá consumir. "O trabalho da saúde pública é informar a população sobre os riscos associados a alimentos, ações etc. A partir daí, os adultos devem tomar suas próprias decisões. Fumar, por exemplo, pode aliviar o estresse, mas se essa atitude ou qualquer outra infringir os direitos de terceiros, as autoridades devem tomar medidas - se possível, sem proibir a atividade - para equilibrar a saúde pública com as liberdades individuais.