O mais grave sobre o abandono da Estação Ferroviária em Bauru não foi a interdição do prédio pelo Ministério Público, conforme veiculou Matéria do Jornal da Cidade ('Estação chega ao limite e prédio é lacrado após intervenção do MP', Caderno Política, JC).
O que causa repúdio foi que quando se gastou milhões das secretarias da Saúde e da Educação para comprar a Estação faltavam quase 2 mil vagas de creches municipais para nossas crianças aqui em Bauru. E na Farmácia Municipal e nas unidades de saúde também estavam em falta vários tipos de remédios. Mas prefeito e vereadores na época fizeram vistas grossas para esses graves detalhes.
Na época, entrei com uma Ação Popular no Poder Judiciário em Bauru questionando a compra da Estação pelo Município porque entendia que era desvio de finalidade gastar milhões da Educação e da Saúde para comprar a Estação e ao mesmo tempo faltando creches e remédios.
A juíza encaminhou a nossa Ação para parecer do Ministério Público local e um promotor sugestionou que o nosso pedido não fosse acatado. E a juíza optou pelo indeferimento de nossa propositura. Portanto, o tempo é o senhor da razão e a verdade precisa ser dita. O prédio hoje abandonado e interditado prova que estávamos no caminho certo.
Aliás, os vícios administrativos continuam. Sobraram 17 milhões na Educação em 2019, mas grande parte das escolas municipais não possui alvarás do Corpo de Bombeiros e vagas em creches continuam faltando até hoje. E na Saúde os remédios idem.
Mas enquanto as autoridades não forem mais rigorosas com desvios de finalidades praticados por prefeitos e com a prevaricação materializada por vereadores, a ineficiência e a improbidade administrativa sempre irão perdurar.
E quem paga é o povo.