Berlim - O número de pessoas que morreram em decorrência das enchentes na Alemanha subiu para 106 nesta sexta-feira (16), segundo o último levantamento divulgado pelas autoridades. A chuva sem precedentes - que também atinge países vizinhos e provocou 20 mortes na Bélgica - dispara um alerta sobre a ocorrência de eventos naturais extremos como consequência das mudanças climáticas.
Cerca de 1.300 pessoas ainda estão desaparecidas, mas existe a possibilidade de que grande parte desse número se refira a moradores que estão incomunicáveis devido às quedas de energia e aos danos causados às redes de telecomunicação. Comunidades inteiras ficaram em ruínas depois que vários rios transbordaram nos Estados alemães da Renânia do Norte-Vestfália e Renânia-Palatinado, além de em países vizinhos, como Bélgica, Holanda e Luxemburgo.
Na cidade de Sinzig, ao sul de Colônia, 12 residentes em um lar para pessoas com deficiências morreram ao serem surpreendidos pelas inundações durante à noite.
A chefe da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, disse que a escala e a intensidade das enchentes são uma indicação clara das mudanças no clima e demonstram a necessidade urgente de ação.
"Não há a menor dúvida de que as mudanças climáticas globais estão aumentando a frequência de eventos climáticos extremos", afirma o físico e climatologista Paulo Artaxo, professor da Universidade de São Paulo (USP). Segundo ele, o aumento da temperatura em âmbito mundial gera um acúmulo de energia na atmosfera que se dissipa por meio de eventos extremos.
Nos últimos dois dias, houve ao menos 125 registros de "chuva pesada" na Alemanha, de acordo com dados da European Severe Weather Database. A plataforma define "chuva pesada" como precipitação em grandes quantidades, capazes de provocar danos significativos, ou, quando não há dano, em quantidades excepcionais para a região em questão.
Os índices pluviométricos registrados no país são, de fato, excepcionais - algumas regiões tiveram a maior quantidade de chuva dos últimos cem anos. Em Reifferscheid, no distrito alemão de Ahrweiler, a chuva acumulada chegou a 207 milímetros em um período de nove horas.
Na cidade alemã de Erftsdadt, embora mais construções tenham desabado na manhã desta sexta, parte dos moradores que haviam sido evacuados voltou às suas casas. Assim, as autoridades não conseguem determinar com clareza quem está em risco e quem está em segurança, de modo que o temor é de que o número de mortes locais também possa aumentar.
As mortes provocadas pelas inundações na Alemanha configuram a maior catástrofe natural do país desde uma enchente no Mar do Norte, em 1962, que matou cerca de 340 pessoas.