Economia & Negócios

'A hora de errar é agora', diz ministro Paulo Guedes

FolhaPress
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Brasília - O ministro Paulo Guedes (Economia) voltou a minimizar a perda anual de R$ 30 bilhões para os cofres públicos decorrente da proposta que altera o Imposto de Renda formulada por ele e pelo relator, deputado Celso Sabino (PSDB-PA). Para o titular da equipe econômica, "a hora de errar é agora".

O ministro defende que o crescimento da arrecadação observado em 2021 o autoriza a "arriscar" perda de recursos com as mudanças, que serão observadas de forma permanente a partir de 2022. Analistas vêm criticando a ideia porque ela usa um fator de caráter não-recorrente (melhora nas receitas neste ano) para embasar uma perda com efeitos permanentes.

Guedes conhece as críticas. Mas afirma que a arrecadação não vai voltar a cair nos próximos anos mesmo que o Produto Interno Bruto (PIB) do País não cresça. Desta vez, no entanto, ele adicionou um adendo às declarações: "mas também não caia".

No primeiro semestre, a arrecadação federal ficou R$ 176 bilhões, ou 24%, acima de igual período do ano passado (já descontada a inflação). Os R$ 897 bilhões obtidos foram o melhor resultado em 22 anos.

Mas, conforme mostrou o jornal Folha de S.Paulo, economistas apontam que a melhora vista em 2021 está ligada a fatores não assegurados para os anos futuros, como a melhora na economia, o preço das commodities e até o padrão de consumo na pandemia.

Há dúvidas sobre o comportamento da economia e das receitas nos anos seguintes - em especial considerando os impactos da crise energética e as incertezas sobre a recuperação da economia em meio à persistência da Covid-19.

O País está no vermelho desde 2014 e atingiu um rombo recorde em 2020 devido às medidas anticrise da Covid-19. A dívida bruta do governo é de R$ 6,7 trilhões. O buraco na arrecadação pode ser ainda maior se as medidas de compensação previstas na proposta não forem integralmente aprovadas no Congresso. Entre elas, estão a imposição do teto de salário para servidores públicos, a taxação de auxílios no funcionalismo e a retirada de diferentes subsídios para grupos empresariais.

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