Cultura

Poesia se despede do 'Poeta do Cerrado'

Ana Beatriz Garcia
| Tempo de leitura: 2 min

Morreu, no início desta quarta-feira (28), o membro da Academia Bauruense de Letras (ABL) Lázaro Aparecido Carneiro, aos 71 anos - completados no último dia 15. De acordo com a família, ele estava internado no Hospital Estadual de Bauru (HEB), por conta de uma bactéria no estômago que tratava há um ano. Mas testou positivo para Covid-19 no último domingo (25), e não resistiu às complicações.

Conhecido como "Poeta do Cerrado", suas poesias sempre foram inspiradas pelas belezas da vegetação típica do centro-oeste brasileiro, o que o inspirou três livros: "O caipira que leu Nietzsche", "Atestado de óbvio" e "Um eito de cerrado", além de diversas canções, poemas e textos, inclusive, em colaboração à Tribuna do Leitor do Jornal da Cidade.

Idealizador do "Rancho Cultural" - projeto realizado ao lado de Cláudio Dangió que foi ao ar por cerca de um ano pela TV Prevê -, ele também teve suas composições gravadas no CD "Flores, perfume e primavera" nas vozes e violões de Ronaldo e Reynaldo, bem ao estilo sertanejo raiz.

CULTURA CAIPIRA

Nascido em 1950, no distrito de Guaianás, em Pederneiras, o poeta - que já se considerava bauruense - viveu e trabalhou na roça durante toda sua adolescência. Em sua última entrevista ao Jornal da Cidade, em outubro de 2020, Carneiro contou que cresceu muito próximo ao cerrado e, por não ter tido grande formação escolar, foi desenvolvendo seu texto a partir de suas experiências de vida próximo ao bioma brasileiro, o que o garantiu a alcunha.

"Eu sou um caipira, falo do cerrado e da minha infância justamente porque não conheci outro lugar além desse. Depois de um tempo, passei a ter um certo conhecimento, li os grandes filósofos, mas me mantenho fiel à minha cultura original", disse na oportunidade.

Sempre com chapéu na cabeça, o "caipira que leu Nietzsche" sempre conservou a cultura do campo, mesmo vindo pra cidade. "Sempre foi um homem muito querido, humano, amoroso. Todas as pessoas que vêm falar com a gente sobre ele, destacam as marcas que meu pai deixou na vida delas. Ele era esse ser sensível, trabalhador, criado pelos irmãos e apaixonado pela minha mãe. Ajudou muitos projetos e sempre trabalhou para sempre valorizar e manter a cultura caipira", afirma um dos três filhos de Lázaro, Luiz Augusto Carneiro.

CONDOLÊNCIAS

Nas redes sociais, amigos e familiares lamentaram a perda. Também a Secretaria Municipal de Cultura comentou a morte de Lázaro Carneiro nas redes sociais, na tarde dessa quarta-feira (28). "A Secretaria Municipal de Cultura oferece suas condolências à família e amigos de Lázaro neste momento de dor", diz o texto.

Sem velório, Lázaro Carneiro foi sepultado na manhã dessa quarta-feira (28), às 10h30, no Cemitério Municipal de Piratininga. Ele deixa a esposa Maria de Lourdes Pereira Carneiro, com quem viveu por 44 anos, os filhos Fernando Marcos Carneiro, Carlos Eduardo Carneiro e Luiz Augusto Carneiro e duas netas: Alice e Vitória Carolina.

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