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Após 50 dias de internação, mãe vence a Covid-19 e conhece a filha

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 3 min

Quer motivação maior para vencer a forma grave da Covid-19 do que a esperança de poder carregar, pela primeira vez, a própria filha nos braços? 50 dias depois de dar à luz, Julia Gabriela de Oliveira Melo, de 38 anos, conheceu a pequena Lívia. Grávida de quase oito meses, a mãe de terceira viagem pegou o novo coronavírus, foi internada e precisou fazer o parto antes de ser transferida para a UTI, onde ficou intubada por pouco por mais de um mês, além de outros 15 dias que passou na enfermaria. Na última semana, Julia recebeu alta e, finalmente, conheceu a bebê.

"Depois que a sedação passou, eu nem imaginava o que tinha acontecido. Fiquei desesperada sem saber se ela havia sobrevivido ou não. Quando me mostraram a foto dela, me questionava o que seria da milha filha se eu morresse. Então, decidi que venceria essa doença para cuidar dela", conta a mãe, emocionada.

Natural de Ubirajara, mas residente em Bauru há 12 anos, Julia, que mora com a família no Mary Dota, estava afastada da entidade assistencial onde trabalha justamente por se encaixar no grupo de risco da Covid-19 em virtude da sua gestação. "Não dá para saber como eu peguei o vírus, mas acredito que seja em uma das idas ao mercado ou à padaria, única tarefa que eu fazia fora de casa", comenta, aventando, ainda, a possibilidade de ter contraído a doença de alguém que vive com ela.

No dia 7 de junho, os sintomas começaram a aparecer: diarreia, vômito e febre alta. Orientada a procurar diretamente pela Maternidade Santa Isabel, ela foi até a unidade de saúde, de onde recebeu diagnóstico de virose. Dois dias depois, a então gestante de quase oito meses piorou. "Eu tive tosse e falta de ar, o que me motivou a buscar atendimento médico na UPA do Mary Dota", acrescenta.

Na unidade, Julia fez o teste para a Covid-19. "Eu voltei para casa, passei muito mal e retornei à Maternidade. Lá, descobri que estava mesmo com a doença e, no dia 11 de junho, consegui a transferência para a enfermaria do Hospital Estadual", narra.

Como o quadro da paciente só piorava, a equipe médica do hospital decidiu fazer o parto. "Disseram que até tentaram me mostrar a minha filha, mas eu fiquei inconsciente e não consegui vê-la", descreve.

ANGÚSTIA E FORÇAS

A pequena Lívia nasceu por volta das 10h do dia 14 de junho com 1,742 quilo e 42 centímetros. Apesar de aparentemente saudável, a bebê também ficou internada na Maternidade por cerca de um mês. "Na noite após o parto, eu fui para a UTI, onde permaneci por 35 dias, sendo cinco completamente inconsciente. Tenho algumas lembranças de tentar tirar o aparelho e cair da cama, porque queria saber da minha filha", narra.

Quando recobrou a consciência, os enfermeiros colocaram fim em toda aquela angústia ao contar que a filha havia sobrevivido e estava bem. Ao sair da UTI, Julia ainda ficou 15 dias na enfermaria. "Me mostraram uma foto dela e eu tive mais forças ainda para lutar", observa.

'SEM REAÇÃO'

Após ter alta, Julia, enfim, conheceu a pequena Lívia na última quarta-feira (28). "Fiquei sem reação, sem palavras, de tanta emoção. Até agora, parece que ainda estou sem chão de tudo o que nós vivemos. A ficha não caiu, sabe?".

Ela conta que a bebê, apesar de ser "pequenininha por ter nascido prematura", está saudável. "Ela já é uma guerreira", diz a mãe, que, com certeza, passou essa característica para a filha.

Com a experiência, Julia aprendeu a dar mais valor aos seus. "Além disso, nós não conseguimos controlar nada, pois tudo está nas mãos de Deus", conclui.

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