Brasília - O presidente da Câmara, Arthur Lira (Progressistas-AL), decidiu levar para o plenário da Câmara a discussão sobre o voto impresso mesmo após o projeto ter sido derrotado em comissão especial nesta quinta-feira, 05, por 23 a 11. Segundo Lira, a disputa em torno desse tema "infelizmente, já foi longe demais" e somente com a votação em plenário "teremos uma decisão inquestionável e suprema".
"Pela tranquilidade das próximas eleições e para que possamos trabalhar em paz até janeiro de 2023, vamos levar a questão do voto impresso para o plenário, onde todos os parlamentares eleitos legitimamente pela urna eletrônica vão decidir", afirmou Lira.
O deputado convocou a imprensa para um pronunciamento sem permitir questionamentos. O partido de Lira votou a favor do voto impresso, uma bandeira do presidente Jair Bolsonaro. O PP havia se comprometido com outras legendas a derrubar a proposta, mas mudou de posição após o presidente da legenda, senador Ciro Nogueira (PI), ser nomeado por Bolsonaro como ministro da Casa Civil na última quarta-feira.
DEMOCRACIA
"Para quem fala que a democracia está em risco, não há nada mais livre, amplo e representativo que deixar o plenário manifestar-se. Só assim teremos uma decisão inquestionável e suprema porque o plenário é nossa alçada máxima de decisão, a expressão da democracia. E vamos deixá-lo decidir. Esta é a minha decisão", comunicou Lira.
Lira fez o pronunciamento e deixou o Salão Verde da Câmara sem responder a perguntas dos jornalistas. No texto o presidente da Casa disse que não fará qualquer movimento para romper a independência entre os poderes, e que o "botão amarelo" continua apertado. Até a noite de ontem não havia data definida para votação. Normalmente, aos finais de semana, os deputados retornam para seus redutos eleitorais de origem.
RENÚNCIA
Designado nesta quinta-feira, para apresentar um parecer contrário à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do Voto Impresso, o deputado Júnior Mano (PL-CE), renunciou ontem à função. Ainda não está definido um novo nome para assumir a tarefa.