Cabul - O Taleban emitiu nesta quarta-feira (25) sinais de que não está disposto a fazer concessões à mulheres. O principal porta-voz do grupo, Zabihullah Mujahid, alertou para que as afegãs fiquem em casa porque, segundo ele, "alguns dos militantes ainda não foram treinados para não machucá-las". Mujahid afirmou que a decisão é "temporária" e destinada a protegê-las até que o Taleban posse garantir a segurança de todas.
"Estamos preocupados que nossas forças, que são novas e ainda não foram muito bem treinadas, possam maltratar as mulheres", disse Mujahid. "Não queremos que nossas forças, Deus nos livre, prejudiquem ou assediem as mulheres. Portanto, pedimos que elas tirem uma folga do trabalho até que a situação volte ao normal e os procedimentos relacionados às mulheres estejam em vigor."
Tão logo houve o anúncio, mulheres começaram protestos em várias capitais da Europa com cartazes contra o grupo e até contra o ex-presidente que deixou o país e não resistiu à investida do grupo considerado terrorista.
REGRAS TEMPORÁRIAS
A declaração segue a mesma linha dos comentários de Ahmadullah Waseq, do comitê de assuntos culturais do Taleban, que disse ao New York Times que o Taleban "não tem problemas com mulheres trabalhadoras", desde que elas usem hijabs, o véu que cobre o cabelo, as orelhas e o pescoço, deixando o rosto e o corpo de fora. "Por enquanto, estamos pedindo para elas ficarem em casa até que a situação se normalize", disse Waseq.
Durante os primeiros anos de governo do Taleban, de 1996 a 2001, as mulheres foram proibidas de trabalhar fora ou mesmo de sair de casa sem estar acompanhada de um homem. Elas não podiam frequentar a escola e poderiam ser açoitadas em público se o Taleban descobrisse que violavam as regras de moralidade, como a que exige que estejam totalmente cobertas. Na época, o grupo também dizia que eram regras "temporárias", segundo Heather Barr, diretora da Human Rights Watch.