Os especialistas já sabiam que a presença da mãe ou pai pode ajudar no tratamento de um bebê prematuro. O que foi descoberto, segundo matéria veiculada no Canaltech, é a que a voz da mãe pode tornar a experiência de um tratamento menos traumatizante para o bebê por alterar os níveis de dor e ocitocina no prematuro.
O estudo denominado "A fala materna diminui os escores de dor e aumenta os níveis de oxitocina em bebês prematuros durante procedimentos dolorosos", analisou 20 bebês. No experimento, realizado por cientistas suíços, os bebês foram acompanhados em três diferentes situações de coleta de sangue: uma com a mãe presente, uma com a mãe falando e outra com a mesma cantando.
"Para o estudo, a mãe começou a falar ou cantar cinco minutos antes da agulhada e depois do procedimento. Também medimos a intensidade da voz para cobrir o ruído ao redor, já que as unidades de terapia intensivas costumam ser barulhentas devido às ventilações e outros dispositivos médicos", contou Didier Grandjean, professor e líder do estudo à matéria veiculada no Canaltech.
Um perfil que avalia a dor dos bebês pelas expressões faciais e sinais fisiológicos, como oxigenação e batimentos cardíacos, foi utilizado de base pelos cientistas para a análise. Foi descoberto que com a mãe ausente os níveis de dor chegavam a 4,5, caíam para 3,8 quando cantavam, e para 3 quando conversavam com o bebê. Quando a voz da mãe era ouvida, até o nível do hormônio que conecta o recém nascido à mãe aumentava. A oxitocina foi de 0,8 picogramas por mililitro para 1,4 quando o bebê ouvia a mãe.
Ainda segundo o Canaltech, o trabalho evidencia a importância da aproximação da mãe com o bebê durante a recuperação na terapia intensiva."Os pais desempenham um papel protetor, podem agir e se sentirem envolvidos em ajudar o filho a se sentir o melhor possível, fortalecendo os laços essenciais de conexão que são desvalorizados no nascimento como um todo", completa Manuela Filippa, uma das principais autoras do estudo.