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'Não há comprovação de que 3.ª dose de CoronaVac seja menos eficiente'

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Bauru começou a aplicar, nesta segunda-feira (6), a terceira dose da CoronaVac contra a Covid-19 em idosos a partir de 90 anos. A utilização deste imunizante foi recomendada e classificada como segura pelo governo do Estado, embora o Ministério da Saúde tenha descartado a possibilidade de usá-lo enquanto não houver o registro definitivo concedido pela Anvisa.

Em meio ao impasse, alguns especialistas têm afirmado que a decisão do governo federal está respaldada pela comunidade científica. Porém, segundo o médico infectologista Carlos Magno Fortaleza, professor da Faculdade de Medicina de Botucatu que foi membro do Centro de Contingência do Coronavírus no Estado, não há, até o momento, qualquer evidência científica que indique que a CoronaVac seja menos eficaz como terceira dose do que outras vacinas.

Em Bauru, todos os 136 idosos com 90 anos ou mais imunizados nesta segunda-feira receberam a terceira dose da CoronaVac. A aplicação seguirá a partir de quarta-feira (8), no Promai (leia mais abaixo).

Até o momento, apenas os Estados de São Paulo e Rio de Janeiro utilizarão esta vacina para imunizar a população com a terceira dose. Já em âmbito nacional, o Ministério da Saúde recomendou o uso da Pfizer e da AstraZeneca, por serem as únicas com registro definitivo da Anvisa. A CoronaVac e a Janssen possuem autorização para uso emergencial.

"Mas, nós sabemos que, atrás dessa 'guerra de vacinas', existem outras 'guerras'. Os ataques à CoronaVac são injustificados e perigosos", rebate Fortaleza. De acordo com o infectologista, os estudos científicos mais robustos realizados até agora consideraram a aplicação apenas das duas primeiras doses.

'ESPECULAÇÃO'

Já a terceira dose está sendo administrada prudencialmente, considerando que, em uma parcela da população, especialmente entre idosos, tem sido observada queda significativa de anticorpos e aumento dos índices de adoecimento seis meses após a aplicação da segunda dose.

"Não há nenhum estudo que indique que a CoronaVac não deve ser administrada como terceira dose, assim como não há nenhum grande estudo, com base profundamente sólida, comparando a terceira dose de uma e de outra vacina. Então, qualquer defesa de um imunizante em detrimento do outro é mera especulação", reforça.

Uma corrente de pesquisadores, contudo, alega que a resposta imune induzida por vacinas de RNA mensageiro (como a Pfizer) ou de vetor viral (como a AstraZeneca) é mais elevada em comparação com as de vírus inativado, como é o caso da CoronaVac. E que, mesmo com a queda da capacidade protetora ao longo do tempo, elas ainda se manteriam mais altas.

COMBINAÇÃO

Porém, conforme o infectologista, os estudos realizados até agora contemplaram grupos pequenos, tendo como base a dosagem de anticorpos, que não é a única forma de medição da proteção conferida pelos imunizantes. Já outro argumento defendido por alguns estudiosos é a aplicação da terceira dose com vacina diferente da utilizada nas primeiras, chamado de esquema heterólogo de reforço, que seria capaz de melhorar a resposta imune.

"Da mesma forma, também existem estudos não definitivos que defendem usar doses diferentes entre a primeira e a segunda aplicação, mas nem por isso é o que foi recomendado pelas autoridades primordialmente. O que me parece é que estão sendo adotados argumentos de ocasião, que não são absurdos, mas que se baseiam em pouco suporte científico e estão sendo transmitidos como verdades estabelecidas por conta de um cenário muito carregado politicamente", completa Fortaleza.

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