Nova York - A Organização das Nações Unidas (ONU) informou que não será exigido comprovante de vacinação contra a covid-19 das autoridades que vão participar de sua 76ª Assembleia-Geral, marcada para começar na próxima terça-feira, em Nova York. Com a mudança nas normas, o presidente Jair Bolsonaro - que diz não ter sido imunizado - poderá fazer o tradicional discurso de abertura do evento.
Antes da nova orientação, o presidente da Assembleia-Geral, Abdullah Shahid, havia avisado diplomatas que o acesso ao plenário do evento dependeria da apresentação do comprovante de imunização.
Dois episódios motivaram a mudança. O primeiro foi uma declaração da Rússia de que a exigência do documento seria discriminatória. Em seguida, o secretário-geral da ONU, António Guterres, disse, em entrevista à agência Reuters que "não pode dizer a um chefe de Estado que não estiver vacinado que ele não pode entrar nas Nações Unidas". Ontem, Shahid notificou a delegação dos países por meio de carta enviada aos 193 Estados-membros da ONU.
Por ser considerada território internacional, a sede da ONU não está sujeita às leis americanas, mas, em outras ocasiões, autoridades do órgão prometeram respeitar as orientações do governo local e federal de controle da pandemia.
CIRCULAÇÃO
Ainda que possa acessar a ONU sem restrições, Bolsonaro terá a circulação limitada na cidade de Nova York. Desde segunda-feira passada, a prefeitura fiscaliza a entrada em área fechadas de bares e restaurantes, por exemplo. Os clientes precisam comprovar que receberam pelo menos a primeira dose de alguma das vacinas aprovadas nos EUA ou pela OMS. Caso contrário, só é possível permanecer na área externa do estabelecimento.
Ontem, Bolsonaro disse que seu discurso na ONU vai mostrar "verdades" sobre o Brasil. "Podem ter certeza, lá teremos verdades, realidade do que é o nosso Brasil e do que nós representamos verdadeiramente para o mundo", declarou durante o lançamento de um projeto de revitalização da bacia de Urucuia, na cidade de Arinos, em Minas Gerais.