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DAE teme o caos no abastecimento; queixas disparam em vários bairros

Bruno Freitas
| Tempo de leitura: 4 min

Entra ano, sai ano, e o munícipe depende do céu para ter água todos os dias na torneira. Desde o dia 16 abril, 165 dias portanto, grande parte da população vivencia o sistema de rodízio no abastecimento de água e a crise hídrica se agravou neste mês, com apenas 13,5 milímetros de chuva, segundo registro do Centro de Meteorologia de Bauru (IPMet). A cidade teve apenas 15 milímetros de chuva em agosto e 10,4 em julho.

Apesar da pancada ocorrida de forma isolada na noite desta segunda-feira (27), a preocupação continua. Em live ocorrida ontem, promovida pela prefeita Suéllen Rosim (Patriotas) em seu perfil particular de rede social - e não o da Prefeitura -, o presidente da autarquia, Marcos Saraiva, alertou para a grande chance de colapso no abastecimento, caso não haja grandes volumes de chuva. O tema foi pautado pela enorme quantidade de queixas de munícipes que utilizam todos os meios para reclamar da escassez de água em Bauru, seja por meio da imprensa ou redes sociais.

O JC vem recebendo centenas de mensagens de insatisfações desde a última sexta-feira, quando o rodízio foi enrijecido e passou a ser 24 por 48 horas (uma região é abastecida por um dia e fica dois sem água).

Contudo, mesmo a população tendo se programado para conviver com essas novas regras, muitos ficaram com as torneiras secas quando deveriam estar abastecidos. De acordo com o DAE, houve um problema na reversão do sistema.

Em vídeo, Marcos Saraiva e Suéllen Rosim pediram a colaboração dos munícipes na economia e na reutilização de água. O presidente da autarquia citou que a crise hídrica não ocorre só em Bauru, mas também em Ribeirão Preto, Franca, Salto e a própria Capital. Na oportunidade, a prefeita voltou a atribuir responsabilidade nas gestões anteriores e disse, sem especificar o que e de qual forma, que faltou investimento no período anterior ao seu governo. Já Marcos Saraiva informou que vai antecipar o horário de abertura dos registros, passando de meia-noite para 20h ou 21h.

Mais cedo, ao vivo no programa Cidade 360, produzido por JC, JCNET e 96FM, Marcos Saraiva destacou que não há solução a curto prazo. Disse que a vazão de água não é suficiente para atender a demanda e que o consumo da população, neste final de semana, foi muito grande.

"Se soltar água para toda a população (abastecida pelo Sistema Batalha), posso garantir que vai durar apenas quatro dias. Isso até o rio (nível) subir novamente", comentou o presidente do DAE.

A lagoa de captação do rio está com o nível de 2,56m, onde o ideal é 3,20m. O sistema, que no passado já abasteceu 40% da população, gira atualmente entre 30% e 35%, considerando os bairros que recebem reforço de poços. Exclusivamente do Batalha, são 25% dos bauruenses.

QUEIXAS

São diversos bairros cujos moradores alegam estar com falta de água. E tem sido unanimidade que os canais de atendimento telefônicos do DAE não funcionaram neste final de semana. O JC conversou com alguns deles. O serralheiro Euder Teixeira reclama que na semana passada inteira havia água brotando de vazamento do chão, na rua, mas não na torneira. Ele reside na quadra 2 da rua Edson Fabiano Rodrigues, no Granja Cecília.

Euder diz que a água chega às 2h da madrugada de sábado para domingo e acabou às 10h da manhã seguinte. Sem dar tempo de encher a caixa d'água e lavar as roupas.

Mag Pulido, via Facebook do JC, questionou: "cadê a água do Jardim Ferraz?". Iris Lima, do Jardim Terra Branca, disse que não chegou água nos dias do fornecimento para a sua região. Jorgiana Sandra Cena de Moraes, que reside na rua João Marques Lontra, no Jardim Solange, reclama que está sem água desde quinta-feira. "Tentei ligar no DAE a tarde toda no final de semana, mas ninguém atendeu. Temo continuar sem água até esta terça, quando não tem previsão de abastecimento", frisa.

Ana Paula Monteiro se queixa do desabastecimento do Alto Paraíso. Ela reside na D'annuncio Cammarosano e está desde quinta sem água.

Segundo ela, domingo era dia de abastecimento, mas continuou com torneiras secas. "A principal queixa é a falta de consideração com a população, que não tem informações e sequer consegue solicitar caminhão-pipa", critica.

Célia Regina Tavares de Souza, da Vila Nipônica, relata que está há três dias sem água. Disse que veio um pouco durante a madrugada, no domingo, mas não foi suficiente para fazer tudo o que precisava.

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