Está circulando na internet um post que diz: "200.000 ingressos do Rock'n'Rio 'Esgotados' em apenas 1 hora e meia, custando a inteira R$ 545,00... Mas o que está caro é o arroz, o feijão, a carne, o gás, o combustível..."
À primeira vista, tem-se a impressão que o brasileiro está "nadando de braçada" e reclamando de barriga cheia - e essa é a intenção: disseminar uma falácia.
Basta um mínimo de raciocínio matemático para perceber que 200.000 ingressos correspondem a menos de 0,1% da população. Uma classe que não se preocupa com gastos supérfluos...
Mas distorcer uma situação não altera a realidade... E a realidade é que um assalariado que ganha R$ 1.100,00 por mês não tem condições de pagar o ingresso, fazer a viagem, se hospedar no Rio ou pagar restaurantes... O show não é para ele.
Ele vive o Show da Vida... Ele está suando no trabalho para pagar o aluguel e para por comida na boca dos filhos.
Acontece é que o problema "atual" da sociedade brasileira não é mais o rico explorando o pobre, nem o "classe-média" querer se descolar da pobreza e se juntar à "high society" - isso não é novidade.
Novidade é que agora temos o pobre que acredita pertencer à classe-média... e pensa como milionário, defendendo a desigualdade como algo natural... E para isso, vale tudo, inclusive "dourar a pílula", tingindo a realidade para torná-la mais palatável.
E, assim, unidos ideologicamente, essas pessoas defendem o "trabalho infantil" como algo que forma o caráter (mas isso só para o filho do pobre).... Para os filhos da "nobreza", o discurso é outro: "universidade para poucos".
Refletindo sobre isso, cheguei a uma triste conclusão: o que está faltando para o brasileiro não é dinheiro - é lucidez...
E isso não se vende no mercado.
O autor é colaborador de Opinião.