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Queimaduras causadas por álcool crescem e já são 62%

Guilherme Tavares
| Tempo de leitura: 2 min

A quantidade de pacientes que sofreram queimaduras com álcool aumentou em 2021 em relação aos anos anteriores. Segundo dados da Unidade de Tratamento de Queimaduras (UTQ) do Hospital Estadual (HE) em Bauru, até 30 de setembro deste ano, 62% dos pacientes do local, que é referência para toda a região, foram atendidos após acidentes com o produto. Entre 2010 e 2020, na média, esse número girava em torno de 50%.

A preocupação principal é com o uso de tachões, usados para assar ou fritar carnes e que têm se tornado frequentes nos últimos anos. Eles geralmente funcionam com queimadores a álcool líquido. Na semana passada, inclusive, uma jovem de 23 anos morreu em Bauru depois de sofrer queimaduras por causa da explosão de um tacho (leia mais abaixo).

Neste ano, diferentemente do começo da pandemia, os acidentes com álcool líquido têm sido mais frequentes do que os com álcool em gel. A observação é do cirurgião plástico Eudes Soares de Sá Nóbrega, da UTQ. "No começo da pandemia, a pessoa passava álcool em gel na mão, esquecia, ia para perto do fogão e pegava fogo. E a chama do álcool em gel é invisível e pior do que o álcool normal. Agora que a pandemia está diminuindo, o número de acidentes com álcool líquido aumentou consideravelmente. Eu tenho pego vários pedidos de internação do Estado de São Paulo inteiro", relata o médico.

Eudes Nóbrega atribui essa mudança de perfil a dois fatores: ao aumento dos momentos de lazer das pessoas - que passaram a usar mais os tachos para assar carnes -, por causa do arrefecimento da pandemia, e também à alta no preço do gás de cozinha. "O alerta é para que a população não cozinhe com álcool, é um perigo. A chama é transparente e o acidente acontece quando a pessoa vai reabastecer", explica o médico, referindo-se à prática de despejar mais combustível para manter o fogo. "A chama do álcool é invisível, não dá para saber se ainda está queimando ou não. Inclusive, o fogo pode subir pelo jato de álcool e a garrafa ou recipiente explode na mão da pessoa", diz.

O cirurgião ainda chama atenção para a necessidade de as pessoas se conscientizarem dos riscos. "A vida não tem preço e, mesmo se a gente for 'colocar no papel', é mais barato comprar o gás do que gastar com curativo, com idas ao hospital e com a sua dor. A vida tem muito mais valor", conclui.

 

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