Mesmo após cobranças, inclusive de vereadores, o Pronto-Socorro (PS) Central de Bauru não irá reabrir as portas para o atendimento da população em geral. O secretário municipal de Saúde, Orlando Costa Dias, afirma que, pelo menos no restante deste mês, a unidade continuará de "portas fechadas", recebendo apenas demandas encaminhadas formalmente pelas UPAs e pelo Samu. Contudo, o titular da pasta ressalta que o PS não deixa de atender nenhum caso de politrauma grave e emergências de grau máximo, que envolvem risco de morte aos pacientes.
"Pessoas picadas por escorpião e cobra, por exemplo, são atendidas e tratadas no PS. É isso que a população deve entender. São casos que, se não forem atendidos lá, podem gerar mortes no caminho", comenta Dias. "Agora, o que não pode é a pessoa chegar ali com uma dor lombar ou com algo mais simples, como uma luxação, pequena fratura", completa.
A retomada do atendimento de portas abertas da unidade foi solicitada à prefeitura, nesta terça (5), por um grupo de vereadores que recebeu denúncias de pacientes que não teriam conseguido atendimento no PS nos últimos dias (leia mais abaixo).
A situação gerou até uma fiscalização surpresa à unidade feita pelos parlamentares, na noite da última segunda-feira (4). Eles cobram a reabertura das portas, considerando o atual cenário de arrefecimento da pandemia.
DESFALQUE
O secretário municipal de Saúde, contudo, descarta a reabertura geral do PSC neste mês. "Não posso me pautar por um caso. Temos avaliado o fluxo das unidades. Ainda dá para continuarmos com o PS fechado atendendo urgências e emergências graves", fecha questão.
Orlando Costa Dias ressalta que aguarda uma análise mais detalhada sobre o comportamento da pandemia na cidade e aponta que há desfalque de funcionários no PS. O déficit, no entanto, deve ser suprido com uma contratação emergencial, que foi feita pela prefeitura na semana passada e que deve vigorar por 6 meses. "São 17 médicos, além de enfermeiros e técnicos. Parte deve ir para o PS e outra parte para as demais unidades. Eles devem passar por treinamento até a próxima semana. Só depois disso discutiremos se será possível reabrir o PS ou não. Não há como prever ainda", frisa.
A contratação emergencial ocorreu após o fechamento do Posto Avançado Covid-19 (PAC), que teve o término do contrato temporário dos profissionais em 19 de setembro. "Se não tivéssemos fechado o PAC, incorreríamos em improbidade. Acontece que os profissionais de lá auxiliavam no atendimento do PS e de outras unidades. Com o fechamento, perdemos essa mão de obra", acrescenta Dias.