Tribuna do Leitor

O professor pedreiro

Silvio Durante
| Tempo de leitura: 1 min

Surpreende a polêmica causada pela matéria de 15 de outubro sobre o Dia dos Professores trazendo a inspiradora história do educador Marcos Chagas. Observei os comentários na postagem da notícia pelas redes sociais do JC e é impressionante os ataques e desqualificações que algumas pessoas destilaram contra ambas as profissões, revelando, na verdade, um desprezo para todo conjunto da classe trabalhadora. Marcos ensinou muitas coisas com seu testemunho na notícia assinada pela jornalista Marcela Tonelli, que também foi criticada em alguns comentários de pessoas que ou não leram a matéria, ou se leram, não entenderam o cerne do texto.

Quem teve a oportunidade de ter aulas com o professor Marcos ou de conviver em seu círculo profissional e de amizades entende sua grandeza de ser humano, que constrói casas e ideais. Ele é um mestre na educação e também um mestre de obras e sua maior obra será sempre a educação.

Marcos é solidário com as lutas dos estudantes contra o fechamento de salas e turmas; solidário com as lutas dos povos indígenas; solidário com as lutas dos trabalhadores sem-teto e, como não podia deixar de ser, é sempre atuante nas lutas de sua categoria por melhores condições de trabalho e renda. Marcos não apenas reforma casas velhas, mas revoluciona maneiras de enxergar o mundo, seja em um chão de giz ou em um canteiro de obras; seja ensinando um jovem a compreender economia política ou ensinando um servente a ler suas primeiras letras.

Marcos não constrói apenas casas novas, mas constrói um mundo novo onde não haja famílias que não tenham casa para morar. Marcos não coloca tijolos apenas nos muros, mas coloca tijolos no mundo para que não haja nenhum muro entre o saber e os seres humanos.

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