Viver Bem

Muito além do alívio das dores

Ana Lucia Azevedo
| Tempo de leitura: 2 min

Ninguém nega que a massagem ajuda a aliviar dores musculares causadas por exercícios, contusões e torções menores. Mas os benefícios da estimulação mecânica dos músculos proporcionada pela massagem vão bem além de apenas bem-estar, mostra uma pesquisa liderada por cientistas da Universidade de Harvard, nos EUA.

Num estudo publicado na revista científica Science Translational Medicine, eles propõem que, na dose certa, a massagem pode ajudar a tratar uma série de lesões musculares, tanto decorrente de acidentes, sobrecarga, torções ou mesmo coágulos sanguíneos. Ela realmente trata a inflamação muscular.

A massagem ajuda a acelerar a recuperação muscular, dizem os cientistas americanos, porque contribui para remover células do sistema imunológico que podem atrapalhar processos regenerativos e prolongam a inflamação. São os neutrófilos, os primeiros soldados que o sistema imunológico envia para a batalha quando o corpo é agredido, seja por uma lesão ou pela invasão de um vírus ou bactéria.

Essas células agem depressa e liberam substâncias para atacar o problema. Mas isso gera inflamação e a dor e o desconforto que costumam acompanhá-la. Os neutrófilos são fundamentais, mas nem sempre têm noção de quando devem se retirar. O estímulo mecânico promovido pela massagem lhes envia a mensagem que é hora de tirar o time do campo e permitir que outras células entrem em ação.

Costuma-se pensar que a massagem funciona porque melhora a circulação sanguínea e dispersa o acúmulo de substâncias tóxicas nos músculos. Porém, os mecanismos celulares ativados pela massagem eram pouco conhecidos. Foi então que a principal autora do estudo, a cientista sul-coreana Bo Ri Seo, que faz pós-doutorado em Harvard, resolveu investigar como de fato a massagem funciona e seus efeitos terapêuticos.

EFEITO PROFUNDO

Bo Ri Seo e seus colegas viram que os efeitos das massagens são mais profundos e prolongados do que se pensava, revelou o estudo. A sul-coreana é uma especialista no uso de mecanoterapia, o que inclui a massagem, na regeneração do tecido muscular. Ela e sua equipe focaram nas células do sistema imunológico porque é sabido que desempenham papel fundamental na resposta dos músculos esqueléticos a lesões, ajudando, por exemplo, a evitar infecções.

A pesquisa foi realizada com camundongos pelo óbvio motivo de que seria difícil e antiético encontrar voluntários para sofrer lesões cuidadosamente programadas e permitir que se observasse por meio de biópsias o que acontece à medida que é feita massagem.

No estudo, os cientistas de Harvard afirmam que "a compressão aplicada pelo robô facilitou a remoção de neutrófilos, reduziu citocinas e quimiocinas (ambas produzidas pelo sistema imunológico) e melhorou a composição e a função das fibras musculares". Eles afirmam que esses resultados mostram a viabilidade de desenvolver métodos de estimulação mecânica para acelerar a regeneração dos músculos.

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