Entidades assistenciais de Bauru estão se desdobrando para tentar suprir o grande volume de pedidos de cestas básicas de famílias em situação de vulnerabilidade da cidade, principalmente neste último mês. O principal motivo, segundo quatro instituições ouvidas pelo JC, seria a dificuldade dessas pessoas em obter o recurso por meio dos Centros de Referência de Assistência Social (Cras), onde as cestas estariam em falta. Mesmo diante desse cenário, a Secretaria do Bem-Estar Social (Sebes), que administra os Cras, nega escassez e afirma que as entregas são feitas de forma normal semanalmente.
Porém, números fornecidos pela própria Sebes mostram uma variação grande de distribuição. Para se ter uma ideia, em junho deste ano, foram entregues 5.504 cestas básicas, em parceria com o Fundo Social de Solidariedade (FSS). Já em outubro, houve uma acentuada queda na quantidade de doações. Até a último dia 25, haviam sido contabilizadas 1.177 cestas. Ou seja, mesmo ainda sem o balanço final, o mês aparecia como o de menor número de distribuições do ano (veja mais no quadro).
EFEITOS
Soraya Gasparini, que, além de protetora de animais, também arrecada cestas básicas e alimentos para ajudar cerca de 15 famílias carentes da cidade, tem sentido o efeito dessa realidade. Segundo ela, em outubro, a quantidade de pedidos de auxílio cresceu significativamente, em comparação aos meses anteriores.
"As pessoas escrevem: 'me ajude, pelo amor de Deus'. Eu faço o que posso, mas, infelizmente, não tenho condições de atender a todos. Sempre os oriento a procurar o Cras, porém, eles respondem que não conseguem por lá. Eles me dizem que, quando vão até lá, são informados que não tem cesta", conta a voluntária, que, antes, conseguia ajudar com alimentos cerca de 40 famílias por mês.
Outras três entidades ouvidas pelo JC, que pediram para não ser identificadas nesta reportagem, também reforçam que há um grande aumento nos pedidos de ajuda provocado pela dificuldade dos auxiliados em conseguirem as cestas pelos Cras.
'PROCESSO NORMAL'
Mesmo com todos os relatos, a titular da Sebes, Ana Cristina de Carvalho Sales Toledo, afirma que não há falta de cestas básicas. "Várias famílias estão solicitando. Não é que cestas básicas estejam em falta. Não é nada disso. Eles passam por atendimento [no Cras], acolhemos a solicitação e fazemos as entregas semanais. É um processo normal dentro do atendimento. Para isso, além do recurso próprio da Sebes, que custeia 800 cestas por mês, também contamos com a parceria do Fundo Social de Solidariedade, que arrecada mais cestas e repassa para nós", explica.
"Na última semana do mês, todo o recurso que a gente tem já foi utilizado. No início do mês seguinte, começamos a nos organizar para a compra [de cestas básicas] do próximo mês. Mas os atendimentos no Cras continuam normalmente. Fazemos a lista, acolhemos a solicitação das famílias e, a partir do momento que temos as cestas disponíveis, começamos novamente, dentro do mês, as entregas", complementa Ana Sales.
A secretária ainda ressalta que, a partir deste mês de novembro, 3,5 mil famílias de Bauru cadastradas no Cras serão beneficiadas pela concessão do cartão-alimentação, onde será creditado, durante cinco meses, parcelas de R$ 100,00. O recurso foi repassado pela Câmara Municipal, após uma sobra do Orçamento. "É um recurso a mais. Então, além das cestas básicas que a Sebes já custeia, teremos também este benefício adicional", conclui.
SERVIÇO
Para quem se interessar em ajudar com doações, a Sebes atende pelo (14) 3227-8624 e 3223-2849.