Uma empresa americana chamada Ephemeral lançou uma tinta corporal que desaparece naturalmente de nove a 15 meses após ser aplicada, e isso está desencadeando um debate existencial sobre compromisso e efemeridade (que remete a algo passageiro), no qual algumas pessoas alegam que a nova tecnologia - que usa o mesmo método de tatuagens tradicionais, aplicadas com agulhas e tinta sob a pele - anula completamente o propósito desse tipo de arte corporal. Afinal, por que a s pessoas se tatuam? As informações são do New York Times.
Joanna Acevedo, 24 anos, que trabalha em uma sorveteria no Brooklyn, em Nova York, tem mais de 100 tatuagens por todo o corpo - a única parte não tatuada são os seios, diz ela. Muitas das imagens são aleatórias, afirma, listando "um crocodilo, uma caveira de gato, um arame farpado, as palavras "steak fry" (batata frita), uma águia, um cacto e uma casquinha de sorvete". "Gosto do fato de que são permanentes, porque fazem parte de mim. Elas representam um momento na minha vida, e gosto de viver com toda a minha história", disse Acevedo, que compara as tatuagens que não gosta a cicatrizes, outro resquício de más escolhas que fez quando era mais jovem, afirma.
Mas nem todo mundo pensa assim. Apesar do desafio que é se comprometer com uma tatuagem permanente, os arrependimentos são tão antigos quanto as próprias tatuagens. E às vezes, a correção envolve muito esforço, como na remoção de tatuagens a laser.
"Uma luz de laser quebra as partículas da tatuagem e as fragmenta, mas pode levar de duas a mais de 10 sessões, dependendo do tamanho da tatuagem", explica Roy Geronemus, diretor do Centro de Cirurgia a Laser e Pele de Nova York. "Vejo vários pacientes que tomaram decisões precipitadas, sem pensar muito na natureza duradoura do que fizeram."
TINTA QUE DECOMPÕE
A tinta que desbota da Ephemeral foi inventada por dois engenheiros químicos especializados em proteínas, Brennal Pierre, 41 anos, e Vandan Shah, de 33. Eles se conheceram na Universidade de Nova York, onde Pierre era professor adjunto e Shah era candidato a Ph.D.
O trabalho deles começou em 2014, quando um dos alunos de Pierre, que também era assistente de pesquisa de Shah, estava passando por um processo de remoção de tatuagem a laser muito caro e doloroso, e queria saber se seria possível removê-la com uma enzima. A dúvida captou a atenção de Pierre e Shah imediatamente. "Foi tão intrigante para nós", disse Pierre, que passou sete anos desenvolvendo com Shah uma tinta que seria decomposta pelo mecanismo natural do corpo.
O sucesso foi quase imediato. Desde 2015, a Ephemeral arrecadou mais de US$ 26 milhões, afirmam. Seu primeiro estúdio abriu no Brooklyn em março, com uma fila de espera de oito meses a partir de junho. Uma segunda unidade foi inaugurada em Los Angeles no final do mês passado.
A tinta da Ephemeral é feita de um material que o corpo decompõe naturalmente com o tempo. Ela funciona de maneira semelhante a dispositivos médicos biodegradáveis, como stents usados em implantes ou suturas utilizadas em pontos. Esses produtos, como a tinta, são decompostos naturalmente pelo oxigênio e pela água disponíveis no corpo.