Tribuna do Leitor

A nova forma de se alimentar: o lixo

Rodrigo Cabello da Silva - Auxiliar jurídico.
| Tempo de leitura: 4 min

Depois de pouquíssimo tempo de ter vindo aqui refletir junto a você leitor eleitor que sempre me honra com sua leitura atenta e questionadora, retorno a esse importante espaço democrático para novamente iluminar essa escuridão ora existente em nosso país nesse momento tenebroso que ainda mais difícil em razão desse recente problema do coronavírus e que agravou ainda mais um antigo problema da humanidade: a fome. Mas vamos ao que interessa. Antigamente, num passado não muito distante, se você perguntasse a alguém ou esse mesmo alguém lhe perguntasse o seguinte: "Pra você, o que é o lixo?" Obviamente, você responderia o seguinte: "Ué, o lixo é o conjunto de todos os resíduos provenientes do consumo que não foram, não são e nem serão reaproveitados."

Apesar da resposta hipoteticamente dada à essa indagação não estar totalmente errada, devido ao momento deveras desafiador e difícil, para algumas pessoas, tem sido uma espécie de "supermercado ao ar livre", pois, aqueles mais necessitados, munidos de caixas, potes, sacolas, cavam os diversos recipientes aonde hajam restos provenientes de consumo já realizado e esse servindo como única forma desses indivíduos se alimentarem. Chega a ser revoltante dizer que, num país com grandes extensões de terra e no qual já utilizou-se aquele dito popular: "Brasil, o país em que se plantando, tudo dá", e que aliás, exporta esses mesmos produtos, que ao serem exportados para outros países, não chegam e nem são suficientes para alimentar os que aqui residam por nacionalidade ou adoção, enfim, muitos estrangeiros beneficiam-se do que é produzido aqui e os que desde sempre permaneceram e permanecem aqui não usufruem dos recursos aqui produzidos.

É inacreditável que aquilo que teoricamente é popularmente como resíduo, resto, o lado mais podre daquilo não serve mais é reaproveitado, lavado, fervido para que outros que nada têm ou nem sabem se terão utilizarão de algo que talvez até mesmo possa ter tido contato com bactérias, vermes e outros organismos vivos que se desenvolvam ou desenvolvem-se a partir da decomposição dos mesmos.

Talvez esse seja o desejo daquele ser abominável que exerce o papel de "braço direito" do ser não menos abominável que, numa situação adversa ludibriou a todos nós, na qual eu me incluo, que, revoltados com toda aquela horda de bandidos que durante quase vinte anos administrou o nosso tão maltratado e cujo cargo então passou a ser ocupado pelo apático vice-presidente Michel Temer, cuja titular do cargo teve seu mandato cassado pelas tão propaladas "Pedaladas Fiscais", não que tal ato seja insignificante, mas que pode-se afirmar sem quaisquer sombras de dúvida, ser o mesmo menos grave do que os mais de 600 mil mortos por essa desgraça que há um ano e sete meses adentrou ao nosso cotidiano e aos outros tantos países.

Como pode um país com uma extensão territorial de 8.511.965 (oito milhões, quinhentos e onze mil, novecentos e sessenta e cinco) quilômetros quadrados, não conseguir assegurar o mínimo para que alguns dos 210.000.000 (duzentos e dez milhões) de habitantes possam acessar aquilo que essa grande área agricultável, isto é, passível e possível de ser cultivado?

E, apesar de todo esse cenário desolador e triste, fomos e somos obrigados a assistir ao inadmissível e ridículo pronunciamento do não menos ridículo ministro da fazenda Paulo Guedes dizer que: "O brasileiro come muito, poderíamos pegar isso que sobra dos pratos e distribuir para aqueles passam fome. Melhor do que jogar fora."

E esse prossegue em sua fala absurda: "Você tem famílias que fazem almoços para famílias enormes, e esse desperdício vai desde o início desde o plantio até o fim da cadeia produtiva." Óbvio que pra ele isso é insignificante já que pertence à categoria dos banqueiros, daqueles que surrupiam os recursos daqueles que produzem através da imposição dos juros altos. Mas, para responder adequadamente à altura, há diversas formas, uma delas é fazê-lo tal como esse humilde colaborador que se dirige a esse importante espaço democrático, torcer para que o impeachment desse que ora ocupa o mais alto posto do executivo saia o quanto antes ou, caso este não venha (o que eu espero não aconteça), atentar-se para as falsas promessas, religiosidade simulada e negar-lhe a reeleição no ano que vem.

Portanto, é preciso que tudo o que se produz chegue à mesa de todos os brasileiros, os nascidos ou por adoção e que a fome seja debelada de uma vez por todas e todos possam transformar esse círculo vicioso num círculo virtuoso.

Desde já agradeço, Deus abençoe a todos e obrigado pela atenção.

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