Nacional

Cientista brasileiro ajuda a rastrear nova variante

Estadão Conteúdo
| Tempo de leitura: 2 min

O cientista brasileiro Tulio de Oliveira está diretamente ligado às pesquisas que conseguiram detectar a nova variante do coronavírus, a Ômicron. Ele é diretor do Ceri, o Centro para Resposta à Epidemias e Inovação da África do Sul, país onde foi identificada a variante. Segundo ele, é preciso ajudar o país a conter a nova ameaça, e não isolar a região.

A descoberta de uma nova variante do novo coronavírus, com um alto número de mutações, coloca autoridades e cientistas em alerta. Ainda não há estudos conclusivos, mas as características da nova cepa apontam risco de maior transmissão ou de escape da proteção das vacinas.

Ao apoiar o continente africano, diz ele, será protegido o planeta. "Faço um apelo para bilionários e instituições financeiras. Temos sido muito transparentes com as informações científicas. Identificamos, tornamos os dados públicos e alertamos, pois as infecções estão aumentando. Fizemos isso para proteger nosso país e o mundo, apesar de sofrermos potencialmente uma discriminação massiva", afirma ele, que tem feito apelos por suporte nas redes sociais.

"A África do Sul e a África precisarão de apoio (financeiro, de saúde pública, científico) para controlá-la para que não se espalhe pelo mundo. Nossa população pobre e carente não pode ficar presa sem apoio financeiro", disse Oliveira, cuja equipe foi responsável por identificar a variante Beta, uma das cepas de preocupação rastreadas originalmente na África do Sul.

MIL CASOS AO DIA

"Estimamos que 90% dos casos em Gauteng (mais rica província sul-africana, onde estão as cidades de Joanesburgo e Pretória), pelo menos mil por dia, são desta variante", acrescentou o cientista, que estuda epidemias de vírus, como dengue e HIV, há mais de 20 anos.

Embora poucos casos tenham sido identificados, Oliveira diz que provavelmente há "milhares" de infectados pelo País. O pesquisador disse ao Estadão que, apenas na quarta-feira (24) o Ceri recebeu mais de mil amostras para a análise e que a equipe está "trabalhando contra o relógio" para entender os efeitos de transmissibilidade, vacinas, reinfecção, gravidade da doença e diagnósticos.

Comentários

Comentários