Nós, representantes da comunidade da Emef Dirce Boemer Guedes de Azevedo, vimos por meio deste espaço relatar a situação que estamos vivendo.
A Prefeitura iniciou uma reforma na sede da escola, porém, a obra encontra-se totalmente paralisada há algum tempo. Com o retorno às aulas presenciais e o movimento da comunidade por um local que abrigasse os alunos com condições adequadas, a solução encontrada pela Secretaria Municipal da Educação foi alugar uma parte do Centro de Transformação e Vivências (CTV), localizado no Núcleo Habitacional José Regino, além de oferecer transporte escolar para o deslocamento dos alunos, do prédio em reforma até o CTV e vice-versa.
Deste modo, a escola está funcionando nesse espaço desde setembro, oferecendo atendimento presencial a todos os alunos. A parte alugada consiste em uma área verde aberta, com alguns blocos utilizados como área administrativa, refeitório e salas de aula, tudo cercado por uma grande área de bosque.
Apesar dos esforços dos funcionários em adaptar os espaços da melhor maneira possível, existem algumas situações que nos preocupam em relação à qualidade pedagógica e segurança de alunos e mesmo dos funcionários.
A distância entre os blocos e a extensão da área aberta obriga crianças e funcionários a andarem longas distâncias, sob sol ou chuva, sem proteção. Em dias de chuva, comuns nessa época do ano, é bem mais complicado, principalmente quando ocorre nos horários de entrada, saída e recreio. Os funcionários precisam se dividir com guarda-chuvas para levar de 2 a 3 alunos, que caminham cerca de 500 a 700 metros até as salas. E para dar conta de todos os alunos, os funcionários vão e voltam diversas vezes debaixo de chuva. O mesmo acontece nos horários de recreio, para que os alunos possam ir das salas ao refeitório. Essa distância também é fator insalubre aos servidores que trabalham na escola, sejam professores ou funcionários que apoio, que caminham longas distâncias para manter a organização e limpeza dos espaços, das salas e banheiros (e falando em banheiros, não passaram por qualquer manutenção da Prefeitura, conforme informado em reunião na Câmara Municipal). Isso dificulta, inclusive, a higienização exigida pelos protocolos sanitários em razão da Covid-19.
Para atender à exigência de 100% de retorno presencial, o número de espaços alugados (e cedidos) é insuficiente para abrigar a todas as turmas (a escola atende a nove turmas por período). A solução encontrada pela Secretaria da Educação foi colocar duas turmas ocupando a mesma sala, ao mesmo tempo, dividindo esses espaços apenas com alguns armários, expondo ambas as turmas a conviver com sons e ruídos. Diante dessa situação, foi garantida a instalação de divisórias, o que não ocorreu. Mas mesmo que houvessem divisórias, isso não melhoraria a situação de acústica. Além do barulho, essa configuração das salas obrigou alguns alunos a sentarem muito ao fundo, com dificuldades em enxergar o que a professora escreveu na lousa.
Não é preciso ser especialista em teorias educacionais para saber que essas não são condições pedagógicas adequadas, principalmente para alunos que ficaram quase dois anos em ensino remoto e que, nesse momento, precisam de um atendimento de qualidade para superar as dificuldades impostas pela pandemia.
Esses estudantes não contam com espaços adequados para atividades extraclasse, principalmente as tão necessárias aulas de reforço escolar. Será que essas ações, imprescindíveis para minimizar as perdas dos estudantes após dois anos sem o contato presencial e a adequada mediação do professor, será oportunizada aos estudantes do Sistema Municipal de Ensino, mas inviabilizada aos alunos da nossa escola, pela falta de espaço físico adequado?
Contudo, nossa preocupação vai além das questões pedagógicas. Têm sido encontrados com frequência animais peçonhentos nas dependências desse espaço, como escorpiões, aranhas e lacraias em salas e banheiros, morcegos dentro de uma das salas, cobras nos espaços externos e internos, além de pombos que fazem ninhos em caibros de telhados.
A Prefeitura providenciou, recentemente, serviços de dedetização, desratização e capinação, porém essas ações foram realizadas na área alugada (segundo informações, o contrato com a empresa prevê que o serviço seja realizado apenas nos espaços alugados). Porém, há um grande entorno de bosque e vegetação de onde esses animais aparecem e isso coloca nossos estudantes e servidores em risco iminente.
Considerando tudo o que está exposto e na condição de munícipes, solicitamos que a Prefeitura e a Secretaria da Educação analisem e tomem providências para que nossos alunos tenham condições dignas. A educação pública é um direito! Tem sido veiculada pela mídia a compra de um prédio escolar na região do Jardim Aeroporto, com estrutura adequada e plenas condições para atender aos estudantes. Se isso procede, por que continuar expondo alunos e funcionários a tais situações? Nossa preocupação aumenta a cada dia, especialmente sabendo que existem escolas municipais há anos nessa mesma situação.
Por fim, gostaríamos de uma posição da Secretaria Municipal da Educação sobre o abaixo-assinado encaminhado no dia 23 de novembro de 2021, que contou com cerca de 200 assinaturas de membros da comunidade escolar, mas sem quaisquer respostas até o presente momento.