Lima - Um juiz peruano decidiu nesta sexta-feira (3) que o ex-ditador Alberto Fujimori não poderá ser julgado pela acusação de ter promovido uma campanha de esterilização em massa de indígenas no período em que esteve no poder, entre 1990 e 2000.
A justificativa apresentada pelo magistrado Rafael Martinez está no fato de que essa acusação não fez parte do pedido que embasou a extradição de Fujimori do Chile, em 2007.
O ex-ditador peruano havia buscado refúgio em território chileno para evitar ser julgado por uma série de crimes cometidos durante seu governo.
De acordo com o juiz, o julgamento no caso das esterilizações em massa só pode seguir adiante caso autorizado pela Suprema Corte chilena, que foi quem autorizou a extradição há 14 anos.
SENTENCIADO
Fujimori, 83 anos, está cumprindo uma sentença de 25 anos de prisão após ser condenado por corrupção e violação dos direitos humanos.
O escândalo das esterilizações teria ocorrido na fase final do governo de Fujimori. Segundo a acusação, pelo menos 270 mil mulheres indígenas teriam sido induzidas a fazerem cirurgias para que não pudessem mais ter filhos, dentro de um programa forçado de redução da natalidade no país andino.
A acusação feita por grupos de direitos humanos e de povos indígenas é que grande parte delas não tinha informação suficiente para saber as consequências da cirurgia. Muitas nem falavam espanhol.