Viver Bem

Melatonina chega ao Brasil

Constança Tatsch
| Tempo de leitura: 2 min

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou, em outubro, a melatonina na forma de suplemento alimentar. Agora, ela começa a chegar às farmácias do País. O produto é usado, principalmente, para ajudar a pessoa a dormir. Especialistas explicam, porém, que suas funções vão muito além de regular o sono.

A melatonina é uma das principais responsáveis pelo ciclo biológico de quase todos os seres vivos, usada no ritmo circadiano que regula a atividade física, química, fisio e psicológica do corpo humano. O hormônio induz todas as modificações necessárias para o repouso, como sono, jejum e redução da atividade cardiovascular, da pressão, da frequência cardíaca e até da temperatura corpórea.

Bruno Halpern, endocrinologista da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia Regional São Paulo, classifica a melatonina como "o hormônio da noite". "Não é o hormônio do sono, é o hormônio da noite, é diferente. É o mensageiro que avisa ao corpo que é noite, e as funções vão além de fazer dormir: o fígado para de produzir glicose e o pâncreas diminui a produção de insulina, por exemplo."

Segundo Halpern, a melatonina ajuda, sim, a dormir, mas não é uma solução mágica. Ela funciona, principalmente, para aqueles que estão com deficiência no hormônio. A melhor evidência que existe é o uso em pessoas idosas, já que, a partir dos 60 anos, a produção do hormônio cai e chega a ser 25% menor do que em jovens. Também pode haver diminuição do hormônio no período menstrual ou em razão de distúrbios endócrinos.

Os produtos já estão nas prateleiras. A fabricante Macrophytus, por exemplo, abriu pré-venda assim que a decisão da Anvisa saiu, e começou a entregar o produto nesta semana para 4.386 farmácias e 116 distribuidoras. Ao todo, mais de 85 mil frascos chegaram ao mercado.

O suplemento de outra fabricante, a Equaliv, já está à venda em quase todas as regiões do país. A empresa afirma que muitos estabelecimentos já fizeram pedidos de reposição. "A melatonina só podia vir importada ou feita em farmácias de manipulação. Por isso, quando a Anvisa liberou, estava todo mundo esperando", diz o CEO da Macrophytus, Guilherme Spillere.

"Não é um remédio universal para insônia. É preciso avaliar vários fatores: será que a pessoa produz pouca melatonina? Ou será que a causa do problema para dormir dela é outra? Se a pessoa tomar remédio num dia e no outro a melatonina, certamente dormirá mais rápido com o remédio que induz sono, mas tem mais efeitos futuros", afirma Halpern.

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