Tribuna do Leitor

Liberdade criativa de Deus

Prof. Gilberto Sidney Vieira
| Tempo de leitura: 2 min

No século XVI a Igreja Católica acreditava que o homem era o único ser humanoide criado por Deus em todo universo. Que tudo que existia no universo girava em torno do planeta Terra. Pois ela era o centro do universo (=geocentrismo). Que ela era estática. Que ela era plana. Quem ousasse contestar tais crenças seria acusado de herege pelo Santo Ofício (= Inquisição) e queimado vivo numa fogueira em praça pública. O italiano Giordano Bruno foi astrônomo, matemático, escritor, filósofo, poeta, teólogo e frade dominicano. Propôs que as estrelas fossem sóis distantes, cercados por seus planetas. Haveria seres em alguns planetas, criados por Deus, como os seres existentes na Terra.

Que a Terra não poderia ser o centro do universo. Porque ela girava em torno do Sol (= heliocentrismo). Que a Terra era arredondada e não plana.

Ele foi acusado de herege e levado para Roma, para ser julgado pela Inquisição. Foi condenado à morte em 8/2/1600. Foi aconselhado por religiosos católicos a abjurar suas convicções. Era a condição "sine qua non" para ser perdoado pela Igreja. Ele se negou peremptoriamente a fazê-lo. Foi executado em 17/2/1600. Após 400 a - nos do julgamento injusto e execução, o Papa João Paulo II, no ano 2000, fez um pedido formal e público de desculpas pelo uso da violência que alguns religiosos católicos cometeram contra Giordano, em nome de crenças existentes no século XVI. O padre jesuíta José Gabriel Funes, Ph. D em astronomia, diretor do Observatório do Vaticano, em 13/5/2008 declarou no órgão oficial de imprensa da Santa Sé que assim como existem diversas raças em nosso orbe terrestre, o mesmo poderá ocorrer em todo universo. Que Deus pode ter criado seres inteligentes em outros planetas. Que isto não contradiz a nossa fé. Porque não podemos colocar limites à liberdade criativa de Deus.

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